História
Antes de ser cidade, Itiquira foi caminho. A região, de ocupação bororo, entrou nos relatos oficiais por um episódio violento — a morte de Antônio Corrêa da Costa Pimentel em 1849, após confronto com indígenas às margens do rio Itiquira — e foi sendo costurada ao resto do estado pelas expedições do sertanista Antônio Cândido de Carvalho, que enxergou ali pasto e látex de mangabeira, pela linha telegráfica de Cândido Rondon, que instalou estação às margens do rio Correntes, e pela Estrada Salineira de Ivapé, aberta no começo do século XX para escoar sal e mercadoria. O que adensou gente, porém, foi o diamante: entre as décadas de 1930 e 1940, o garimpo no rio Itiquira e em seus afluentes atraiu garimpeiros de vários estados e até do exterior, trouxe farmácia, cartório e assistência religiosa — e também surtos de malária. Em 1936 o povoado virou distrito; a formação administrativa registrada pelo IBGE o mostra primeiro no município de Santa Rita do Araguaia, depois em Lajeado e, pelo Decreto-lei nº 208, de 26 de outubro de 1938, em Alto Araguaia. A emancipação veio pela Lei Estadual nº 654, de 10 de dezembro de 1953, com instalação em 1º de janeiro de 1954. A memória local guarda o esforço miúdo que sustentou o processo: Adelino Campos percorreu 120 quilômetros a pé para registrar eleitores. Dos anos 1960 em diante, rodovias e programas federais como o Polocentro trouxeram migrantes do Sul e do Sudeste e converteram o antigo chão de garimpo em lavoura.