História
A história de Jauru começa por um rio e por uma fronteira. O território foi habitado por povos indígenas dos quais se tem notícia — Nambiquara, Pareci e Bororo —, e ainda hoje, registra o IBGE, é comum que a população local encontre cacos de cerâmica e machados de pedra nos terrenos preparados para o plantio. A primeira passagem de não indígenas parece datar do século XVI, quando espanhóis que percorriam as terras demarcadas pelo Tratado de Tordesilhas chegaram até a barra do rio Jauru; depois vieram outras expedições, como a do paulista Manoel de Campos Bicudo. Nos tempos da capitania de Mato Grosso o rio teve movimentação intensa, porque servia de via de transporte para a antiga capital, Vila Bela da Santíssima Trindade — mas era região de passagem, e nenhum povoado se firmou ali. O povoamento efetivo só veio a partir de 1946, e a ocupação organizada em 1953, quando a Companhia Comercial de Terras Sul Brasil, de Marília (SP), começou a ocupar glebas compradas entre o rio Jauru e a altura da confluência do rio Santíssimo — terras vendidas a preços módicos e escolhidas, muitas vezes, apenas pelo mapa, com desconhecimento total da realidade. Em 1954 chegaram famílias de São Paulo, do Paraná e de Minas Gerais, com as primeiras lavouras de café, arroz, milho e feijão. O distrito de Jauru nasceu pela Lei estadual nº 3.806, de 3 de novembro de 1976, subordinado a Cáceres; a emancipação veio pela Lei estadual nº 4.164, de 20 de dezembro de 1979, e a instalação do município em 12 de fevereiro de 1981, com dois distritos que permanecem até hoje: Jauru e Lucialva.