Cidade de PA

Pacajá

Pacajá é a cidade que nasceu de um ponto de parada na Transamazônica: um bar à margem da BR-230, no início dos anos 1970, virou povoado, e o povoado virou município pela Lei estadual nº 5.447, de 10 de maio de 1988, desmembrado de Portel. São 41.097 habitantes (Censo 2022) em 11.832,3 km², com um dos grandes rebanhos bovinos do Pará — 851.950 cabeças em 2024. Tem comarca própria do TJPA, com Vara Única que julga o Tribunal do Júri, mas quase tudo o mais sai da cidade: a investigação criminal é decidida em Belém pela Vara de Juiz das Garantias do Interior, a execução penal segue o juízo da comarca onde o preso está custodiado — não há presídio no município —, o conflito agrário corre na Vara Agrária de Altamira e as causas federais e trabalhistas correm em Tucuruí, onde também fica a subseção da OAB.

UF
PA
Porte
pequena
População
41.097 hab.

Para questões judiciais em Pacajá (PA), o juízo competente é da Comarca de Pacajá — é lá que correm os processos criminais e cíveis da cidade. Esta página reúne a comarca, os órgãos e contatos oficiais do município, os telefones de emergência e a custódia prisional da região. Advogado pode atuar em qualquer comarca do país (art. 7º, I, da Lei 8.906/94) — o atendimento do escritório é remoto e presencial.

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Particularidades

História

Poucas cidades brasileiras têm certidão de nascimento tão prosaica: um bar e restaurante aberto por um colono à beira da Transamazônica, perto da ponte sobre o rio Pacajá, para servir caminhoneiro e passageiro de ônibus. Era o início dos anos 1970, a BR-230 acabava de rasgar a floresta, e todo ponto de parada era um embrião de povoado. O acampamento da Construtora Mendes Júnior, encarregada de obras na rodovia, fez o resto: atraiu comércio, serviços e gente. O detalhe administrativo que quase ninguém repara é que toda essa história aconteceu, formalmente, dentro de Portel — município do Marajó cujos fundos territoriais desciam até a Transamazônica. Foi de Portel que a Lei estadual nº 5.447, de 10 de maio de 1988, desmembrou o novo município, instalado em 1º de janeiro de 1989 e constituído até hoje apenas do distrito-sede. Três anos depois, Pacajá ainda cedeu parte do próprio território para a criação de Novo Repartimento, em 1991. É uma história curta em anos e densa em consequências: a ocupação por estrada, sem a mediação de vilas antigas, explica a pauta fundiária e ambiental que domina o foro local até hoje.

Economia

O número que melhor descreve a economia de Pacajá é a razão entre bois e gente: 851.950 cabeças de gado para 41.097 habitantes, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2024 — mais de vinte bovinos por pessoa, um dos grandes rebanhos do Pará. O PIB municipal, de R$ 1.114.328 mil em 2023, assenta nessa pecuária de fronteira, somada à agricultura familiar dos travessões — as vicinais que partem da BR-230 e penetram dezenas de quilômetros floresta adentro — e ao comércio de beira de estrada que deu origem à própria cidade. A pauta jurídica que nasce daí é reconhecível: compra e venda de gado, posse e domínio de imóvel rural, embargo e auto de infração ambiental, trabalho rural informal, acidente na rodovia federal. E tem um endereço que surpreende quem não conhece o mapa judiciário paraense: o conflito coletivo pela posse da terra, matéria central numa frente de ocupação como esta, não é julgado na comarca — desde a consolidação das Regiões Agrárias pela Resolução nº 11/2023 do TJPA, é a Vara Agrária de Altamira que responde por Pacajá.

Panorama jurídico

O mapa jurídico de Pacajá aponta para três cidades diferentes, e nenhuma delas é Pacajá. Fica na comarca o essencial do dia a dia: a ação cível, a família, a infância, o processo criminal depois da denúncia e o Tribunal do Júri, que a Vara Única acumula. O resto se reparte. Para Belém vai a fase de investigação: desde a Resolução nº 9, de agosto de 2025, flagrante, custódia, preventiva, cautelares e quebras de sigilo de todo o interior são decididos pela Vara de Juiz das Garantias das Comarcas do Interior, até o oferecimento da denúncia. Para Tucuruí vão as causas federais (Subseção Judiciária de Tucuruí), as trabalhistas (Vara do Trabalho de Tucuruí) e até a subseção da OAB. E para Altamira vai o conflito agrário, pela Resolução nº 11/2023. A execução penal não tem endereço fixo: pela Resolução nº 016/2007-TJE-GP, ela corre no juízo criminal da comarca do Centro de Recuperação onde o condenado estiver custodiado — e, como Pacajá não tem unidade prisional, o processo de execução nasce já em outra comarca e muda de juízo a cada transferência. A banca atua na comarca em defesa criminal, Tribunal do Júri e execução penal, nos limites éticos da advocacia e sem promessa de resultado.

Patrimônio

O patrimônio de Pacajá não está em casarões — a cidade não teve tempo de construí-los — e sim na paisagem e no traçado. O rio Pacajá, que empresta o nome ao município e deságua muito ao norte, na região de Portel, lembra que este chão já pertenceu ao Marajó administrativo. A Transamazônica é, ela própria, o monumento local: a cidade cresceu em fita ao longo da BR-230, e os travessões numerados que partem da rodovia — dezenas de vicinais abertas pela colonização — organizam a vida rural como as ruas organizam a urbana. Essa geografia de estrada e travessão é a herança material do maior experimento de colonização dirigida da história brasileira, o da década de 1970, do qual Pacajá é filho direto: sem a rodovia não haveria o bar, sem o bar não haveria o povoado, sem o povoado não haveria o município. O entorno guarda floresta amazônica densa e uma frente pecuária em expansão — a convivência tensa entre as duas é o traço mais visível do território e a matéria-prima de boa parte dos processos que chegam ao foro.

Curiosidades

Três curiosidades ajudam a entender Pacajá. A primeira é de origem: o município foi desmembrado de Portel, cidade ribeirinha da região do Marajó a centenas de quilômetros dali — antes de 1988, o morador da Transamazônica dependia, no papel, de uma sede municipal acessível por rio, em outra mesorregião. A segunda é estatística: o IBGE espalha Pacajá por três recortes diferentes — mesorregião do Sudoeste Paraense, microrregião de Altamira, região imediata de Tucuruí e intermediária de Marabá —, e o mapa institucional repete a indefinição, com a Justiça Federal e o Trabalho em Tucuruí e a vara agrária em Altamira. A terceira é aritmética: com 851.950 bovinos para 41.097 habitantes, há mais de vinte bois para cada morador — na prática, o rebanho de Pacajá supera a população humana de muitas capitais estaduais brasileiras. Nenhuma das três é anedota: cada uma explica um pedaço de onde o pacajaense precisa ir para resolver a vida jurídica.

Educação e cidadania

Em Pacajá, saber o que existe e o que não existe na cidade poupa viagem de centenas de quilômetros. Existem: a Promotoria de Justiça, na Rua São Pedro, 511, no Centro, com telefone e WhatsApp (91) 3798-1280; a Prefeitura, na Av. João Miranda dos Santos, 67, no Novo Horizonte, atendendo das 8h às 14h; a Câmara Municipal, no nº 65 da mesma avenida; e a Vara Única, que responde pelo e-mail institucional 1pacaja@tjpa.jus.br. Não existem: unidade da Defensoria Pública — o atendimento gratuito mais próximo é em Tucuruí ou em Altamira, com orientação pelo Disque 129 e pela CADI, (91) 3251-3750 —, subseção da OAB, vara federal, Vara do Trabalho e unidade prisional. Para o benefício do INSS, o caminho é o telefone 135 ou o aplicativo Meu INSS, com a Justiça Federal de referência em Tucuruí. A lição prática, que vale para quase tudo nesta ficha: antes de viajar, confirme por telefone ou e-mail onde o seu caso realmente tramita — em Pacajá, a resposta muitas vezes é outra cidade.

Dados do município

Mesorregião
Sudoeste Paraense
Microrregião
Altamira
Região intermediária (IBGE)
Marabá
Área (km²)
11832.323
População (Censo 2022)
41.097
Densidade demográfica (hab/km²)
3.47

Fonte: IBGE (Cidades e Estados).

Órgãos e instituições — Pacajá/PA

Justiça Estadual — Comarca

Nome
Comarca de Pacajá
Tribunal
Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA)
Região judiciária
10ª Região Judiciária, com sede em Tucuruí
Estrutura
A comarca é própria e está em funcionamento, com uma única unidade judiciária: a Vara Única de Pacajá. Não há divisão por matéria — a mesma vara responde pelo cível, pela família, pela infância e juventude, pelo criminal e pelo Tribunal do Júri. O lotacionograma do Gabinete da Presidência do TJPA a arrola na 10ª Região Judiciária, a de Tucuruí, e o Diário da Justiça registra designações de magistrados para a unidade em edições recentes, de 2024 a 2026.
Juri
Os crimes dolosos contra a vida praticados no município são julgados na própria comarca, pela Vara Única, que acumula a competência do Tribunal do Júri — expressamente excluída do alcance do juiz das garantias pelo art. 3º da Resolução nº 9, de 2025, do TJPA.
Juiz das garantias
Desde a Resolução nº 9, de 13 de agosto de 2025, a fase de investigação não é decidida na cidade: o TJPA transformou a 2ª Vara Penal de Inquéritos Policiais de Belém na Vara de Juiz das Garantias das Comarcas do Interior, com jurisdição sobre todos os municípios paraenses fora da Região Metropolitana de Belém. É esse juízo que recebe a comunicação da prisão, realiza a audiência de custódia, decide preventiva e cautelares e autoriza quebras de sigilo até o oferecimento da denúncia, quando os autos vêm à Vara Única. Ficam fora da regra o Júri, a violência doméstica e os Juizados Especiais Criminais, que permanecem locais desde o início.
Execução penal
A condenação sai aqui; o cumprimento não fica. Pela Resolução nº 016/2007-TJE-GP, de 25 de abril de 2007, é competente para a execução penal no interior do Pará o Juiz Criminal da comarca em que se situar o Centro de Recuperação onde o condenado estiver custodiado, qualquer que seja o quantum da pena (art. 2º); a transferência desloca a competência, com os autos seguindo o preso (art. 3º). Pacajá não tem unidade prisional: progressão, remição, livramento, falta grave e saída temporária não se decidem na Vara Única, e sim no juízo criminal da comarca onde a pessoa estiver custodiada — e mudam a cada transferência. A referência prisional mais próxima na relação da SEAP é o conjunto de Tucuruí (UCR e URRS), mas a destinação é decisão administrativa conforme vaga e regime: a primeira pergunta da defesa é sempre onde a pessoa está.
Vara agrária
Conflito coletivo pela posse de terra rural não é julgado pela Vara Única: a Resolução nº 11, de 10 de maio de 2023, que consolidou as cinco Regiões Agrárias do Pará, pôs Pacajá na Região Agrária de Altamira (art. 2º, IV), ao lado de Anapu, Brasil Novo, Gurupá, Medicilândia, Placas, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu. A sede e a Vara Agrária ficam em Altamira (art. 3º).
E-mail
Email vara única

OAB — Subseção

Nome
Subseção de Tucuruí da OAB/PA
Endereço
Rua Sete de Setembro, nº 109, Bairro Pimental, Tucuruí - PA, CEP 68460-000
E-mail

Serviços federais na fronteira

Justica federal
Subseção Judiciária de Tucuruí (TRF1) e Vara do Trabalho de Tucuruí (TRT-8) respondem, respectivamente, pelas causas federais e trabalhistas do município.
INSS
Atendimento por agendamento pelo telefone 135 ou pelo portal e aplicativo Meu INSS.

Estabelecimentos penais

Panorama
Não há unidade prisional em Pacajá: a relação oficial das unidades penitenciárias do interior, publicada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Pará (SEAP), não registra estabelecimento penal no município. A referência regional mais próxima é o conjunto de Tucuruí — a Unidade de Custódia e Reinserção (UCR) e a Unidade de Reinserção de Regime Semiaberto (URRS), no mesmo endereço da PA-156. Para a família, a visita exige deslocamento — e, com ela, vai a própria execução da pena, que pela Resolução nº 016/2007-TJE-GP segue o juízo criminal da comarca do Centro de Recuperação onde o condenado está. A destinação concreta, porém, é decisão administrativa conforme vaga e regime: confirme sempre onde a pessoa está antes de peticionar, pelo SEEU e pelo BNMP.
Unidade de referência
Nome
UCR Tucuruí (Unidade de Custódia e Reinserção) e URRS Tucuruí (Unidade de Reinserção de Regime Semiaberto)
Administração
Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Pará (SEAP-PA)
Endereço
Rodovia PA-156, km 04, Transcametá, Nova Conquista, Tucuruí - PA
Telefone
E-mail

Ministério Público Estadual

Estadual
Promotoria de Justiça de Pacajá — Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que atua junto à Vara Única em matéria criminal, do Júri, da infância, da cidadania e do meio ambiente.
Endereço
Rua São Pedro, 511, Centro, Pacajá - PA, CEP 68485-000
Telefone
E-mail

Defensoria Pública Estadual

Atendimento
O cadastro oficial "Localize uma Defensoria" da Defensoria Pública do Estado do Pará não registra unidade de atendimento em Pacajá. As unidades em funcionamento mais próximas são a de Tucuruí, na Av. Tancredo Neves, nº 150, bairro São Francisco, telefone (91) 98404-8307, e o Núcleo Regional do Xingu, em Altamira, na Av. Brigadeiro Eduardo Gomes, nº 1651, Esplanada do Xingu, telefone (93) 98114-8158. A orientação sobre onde e como ser atendido pode ser obtida pelo Disque Defensoria 129 e pela Coordenação de Atendimento da Diretoria do Interior (CADI): (91) 3251-3750 e WhatsApp (91) 99343-7695.
Defensoria pública uniao
Nas causas de competência da Justiça Federal — inclusive benefícios previdenciários —, a assistência gratuita cabe à Defensoria Pública da União, junto à Subseção Judiciária de Tucuruí.

Justiça Federal

Subseção
Subseção Judiciária de Tucuruí — Justiça Federal no Pará, Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1)
Jurisdição
Pacajá não é sede de subseção federal. As causas federais — previdenciário, tributário federal, crimes federais — correm na Subseção Judiciária de Tucuruí, cuja jurisdição abrange Tucuruí, Breu Branco, Goianésia do Pará, Jacundá, Novo Repartimento, Pacajá e Tailândia.
Contato
1ª Vara de Tucuruí: 01vara.tuu@trf1.jus.br; telefones (94) 3787-6004, (94) 3787-7000 e (94) 98807-7533; WhatsApp (94) 98112-9786

Justiça do Trabalho

Nome
Vara do Trabalho de Tucuruí
Tribunal
Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), com jurisdição sobre o Pará e o Amapá
Endereço
Av. Cel. Rdo. Veridiano Cardoso, 03, Centro, Tucuruí - PA, CEP 68456-760
Telefone
E-mail
Abrangência
Tucuruí, Breu Branco, Goianésia do Pará, Novo Repartimento, Pacajá e Tailândia

Prefeitura Municipal

Nome
Prefeitura Municipal de Pacajá
Endereço
Av. João Miranda dos Santos, 67, Bairro Novo Horizonte, Pacajá - PA, CEP 68485-000
Telefone
E-mail
Atendimento
Das 8h às 14h
Site
pacaja.pa.gov.br

Câmara Municipal

Nome
Câmara Municipal de Pacajá
Endereço
Av. João Miranda dos Santos, 65, Bairro Novo Horizonte, Pacajá - PA, CEP 68485-000
Telefone
Atendimento
De segunda a sexta, das 8h às 14h
Site
pacaja.pa.leg.br

Emergências

Pm
190
Samu
192
Bombeiros
193
Policia civil
197
Defesa civil
199
Central mulher
180
Disque denuncia
181

Percepções inéditas

Cruzamentos, comparações e anomalias identificados pela redação

historico-institucional

A cidade que trocou o Marajó pela Transamazônica

Pacajá é um caso raro de município que mudou de mundo sem sair do lugar: até 1988 seu território pertencia a Portel, sede ribeirinha ligada à bacia do Marajó, e a emancipação pela Lei nº 5.447/1988 formalizou o que a BR-230 já tinha feito — arrancar aquele chão da órbita fluvial e colá-lo à órbita rodoviária. A consequência jurídica persiste: registros antigos, cadeias dominiais e divisas herdadas do período portelense ainda aparecem em litígios fundiários locais, hoje decididos na Vara Agrária de Altamira.

juridico-pratico

Três mapas que não coincidem

Quem litiga por Pacajá precisa de três mapas: o da Justiça Estadual, em que a comarca integra a 10ª Região Judiciária, de Tucuruí, e a fase de investigação sobe a Belém; o da Justiça Federal e do Trabalho, que apontam para Tucuruí; e o agrário, que aponta para Altamira. Nenhum coincide com o recorte do IBGE, que põe o município na microrregião de Altamira e na região intermediária de Marabá. O erro de porta é o erro processual mais barato de evitar — e o mais comum.

juridico-pratico

Execução penal sem endereço fixo

Como Pacajá não tem estabelecimento penal, nenhuma execução de pena privativa de liberdade tramita na comarca que condenou: pela Resolução nº 016/2007-TJE-GP, o processo nasce no juízo da comarca da unidade que recebe o preso — em regra na região de Tucuruí — e se desloca a cada transferência. Para a família, isso significa que a pergunta "onde está o processo?" só se responde depois da pergunta "onde está o preso?", a ser conferida no SEEU e no BNMP.

Violência contra a mulher — Ligue 180

180

Denúncia e orientação para mulheres em situação de violência. Atendimento 24h, sigiloso.

Apoio emocional — CVV

188

Ligação gratuita, sigilosa, 24h. Você não precisa estar em crise para ligar.

Emergências e apoio

Telefones gratuitos válidos em todo o Brasil. Discagem direta — não precisa de prefixo.

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