História
Poucas cidades brasileiras têm certidão de nascimento tão prosaica: um bar e restaurante aberto por um colono à beira da Transamazônica, perto da ponte sobre o rio Pacajá, para servir caminhoneiro e passageiro de ônibus. Era o início dos anos 1970, a BR-230 acabava de rasgar a floresta, e todo ponto de parada era um embrião de povoado. O acampamento da Construtora Mendes Júnior, encarregada de obras na rodovia, fez o resto: atraiu comércio, serviços e gente. O detalhe administrativo que quase ninguém repara é que toda essa história aconteceu, formalmente, dentro de Portel — município do Marajó cujos fundos territoriais desciam até a Transamazônica. Foi de Portel que a Lei estadual nº 5.447, de 10 de maio de 1988, desmembrou o novo município, instalado em 1º de janeiro de 1989 e constituído até hoje apenas do distrito-sede. Três anos depois, Pacajá ainda cedeu parte do próprio território para a criação de Novo Repartimento, em 1991. É uma história curta em anos e densa em consequências: a ocupação por estrada, sem a mediação de vilas antigas, explica a pauta fundiária e ambiental que domina o foro local até hoje.