História
Portel nasceu de uma aldeia indígena reorganizada pelo padre Antônio Vieira. Em 1653, o jesuíta introduziu na povoação os índios Nheengaíbas, trazidos da ilha do Marajó, e o lugar ficou sob a direção da Companhia de Jesus com o nome de Aricuru (ou Arucará), elevado a freguesia sob a invocação de Nossa Senhora da Luz. A virada veio com a política pombalina: em 1758, o governador e capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado — irmão do Marquês de Pombal e executor do Diretório que secularizou as antigas missões — elevou a povoação à categoria de vila, deu-lhe o nome português de Portel ("porto pequeno") e instalou pessoalmente o município em 24 de janeiro daquele ano. A data faz de Portel contemporânea das mais antigas vilas do interior amazônico, criadas na mesma leva que transformou aldeias missionárias em povoações civis por todo o vale. O município atravessou o ciclo da borracha e o extrativismo madeireiro do século XX como porto fluvial do Marajó ocidental, às margens da foz do rio Pacajá com a baía que o liga ao rio Pará — e chegou ao Censo de 2022 com 62.503 habitantes, boa parte deles em comunidades ribeirinhas alcançáveis apenas por embarcação.