História
Olho d'Água das Flores começou como parada de estrada e nunca deixou de ser. Em 1800, um padre chegou à região para catequizar, encontrou uma nascente ao pé de uma serra e ergueu uma casa pequena junto dela; a casa virou pouso de quem cruzava o sertão. Perto da nascente havia uma árvore — provavelmente um pau d'arco — cujas pétalas, na época da floração, o vento espalhava sobre a água até cobri-la. Foi assim, pela imagem, que os viajantes batizaram o lugar. Durante décadas não passou disso: um ponto de pouso com nome bonito. A mudança veio em 1884, com a chegada de um morador que estimulou a agricultura e a pecuária, abriu estradas carroçáveis, construiu açudes e ergueu uma capela sob a invocação de Santo Antônio, padroeiro da localidade — é desse esforço que nasce a povoação propriamente dita. O reconhecimento institucional veio tarde e em duas etapas. Primeiro o judiciário: em 1948-1949 criou-se o distrito de Olho d'Água das Flores, subordinado ao município de Santana do Ipanema. Depois o político: pela lei estadual nº 1.748, de 2 de dezembro de 1953, o distrito foi elevado a município, desmembrado de Santana do Ipanema, com instalação em 6 de fevereiro de 1954. Desde então o território é constituído apenas do distrito sede, sem alteração até o quadro de 2024. As duas figuras da fundação continuam nomeando a cidade: as escolas estaduais do município se chamam Padre Antonio Duarte e Ângelo de Abreu, e ambas ficam na Avenida Dois de Dezembro — a mesma data que a lei de emancipação carrega.