História
A ocupação do território de Mata Grande começou no período colonial, com a concessão de extensas sesmarias no alto sertão alagoano. Sebastião de Sá e Antônio de Souto Macedo, no século XVII, implantaram fazendas de criação de gado às margens do rio dos Cabaços e de seus afluentes, estruturando a base econômica da região; essas propriedades foram depois doadas à Companhia de Jesus, e integraram o patrimônio dos jesuítas até a expulsão da Ordem do Brasil, em meados do século XVIII. O núcleo urbano propriamente dito nasceu em 1791, quando João Gonçalves Teixeira e sua mulher, Maria Luiza, doaram por escritura uma parte de terra chamada "Cumbe", nas Matas de Santa Cruz, para a edificação de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição — nome que hoje sobrevive na fonte perene que abastece a cidade e no contraforte da Serra da Onça. João Gonçalves ergueu uma capelinha de taipa junto à sua residência, que servia também de cemitério, e diante dela plantou uma cruz de madeira feita do tronco de uma maçarandubeira gigante — dessa árvore, o arraial herdou o nome de "Mata do Pau Grande", documentado em escrituras já em 1808. O nome se simplificou para "Mata Grande" em 1835, por causa da serra homônima que cobria a região de mata fértil. A trajetória administrativa foi acidentada: vila pela Lei Provincial nº 18, de 18 de março de 1837, desmembrada de Porto da Folha (depois Traipu); extinta pela Lei Provincial nº 43, de 4 de maio de 1846; recriada pela Lei nº 197, de 28 de junho de 1852, reinstalada em 27 de setembro daquele ano; rebatizada "Paulo Afonso" pela Lei Provincial nº 516, de 30 de abril de 1860; elevada a cidade, ainda como Paulo Afonso, pela Lei Estadual nº 328, de 5 de junho de 1902; e só pela Lei Estadual nº 1.144, de 25 de maio de 1929, retomou definitivamente o nome de Mata Grande. Do primeiro registro de gado jesuítico no século XVII à autonomia municipal consolidada em 1929, passam-se mais de dois séculos e meio de ocupação contínua do mesmo território serrano.