História
Poucos municípios alagoanos guardam uma história tão longa quanto a de Porto Calvo: sua origem remonta ao século XVI, quando Duarte Coelho I promoveu a colonização portuguesa da região. Cristóvão Lins liderou expedições, recebeu extensa sesmaria, fundou uma igreja dedicada à Virgem Maria e implantou os primeiros engenhos de açúcar — o núcleo de povoamento cresceu rápido por ocupar uma rota estratégica entre Pernambuco e o sul da Capitania. O nome, segundo a tradição popular, vem do "porto do calvo", em referência a um antigo morador da região, e resistiu a tentativas oficiais de substituição ao longo dos séculos. O século XVII trouxe o capítulo mais dramático: Porto Calvo virou praça de guerra na resistência contra a invasão holandesa, tornando-se palco de figuras como Matias de Albuquerque, Felipe Camarão e Domingos Fernandes Calabar — este último, o nome que hoje batiza o fórum da comarca —, até a expulsão definitiva dos flamengos em 1645. A cidade também serviu de base para operações contra o Quilombo dos Palmares e, mais tarde, participou de três dos maiores movimentos políticos do Império e da Regência: a Confederação do Equador, a Guerra dos Cabanos e a Revolução Praieira. Elevada a vila em 1636 e a cidade em 1889, Porto Calvo é reconhecida como a freguesia mais antiga de Alagoas, sob a invocação de Nossa Senhora da Apresentação — um título que nenhuma das outras três comarcas desta leva disputa.