História
A fundação de Murici tem selo de lenda: um monge chamado Frei Domingos teria plantado, por volta de 1810, um "muricizeiro bravo" à beira de um caminho, e viajantes passaram a parar ali para descansar e negociar sob sua sombra — origem do nome que ficou, primeiro para o povoado, depois para a vila e a cidade. Uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, erguida pelos primeiros moradores e reconstruída em 1829 sob nova invocação, ancorou o crescimento do lugar. A história ganhou um capítulo de resistência política com o padre português Joaquim Lopes, que vivia no sítio das Pedreiras desde 1809 e foi perseguido como traidor durante o movimento Mata-Marinheiro — a onda de hostilidade a portugueses que varreu Alagoas e Pernambuco entre 1817 e 1824. Refugiado em Murici até sua morte, em 1856, o padre fundou ali a Sociedade Patriótica Defensora, primeiro grêmio político do município, num período — entre 1855 e 1860 — de disputas intensas entre os partidos Liberal e Conservador e contra a política do Barão de Jaraguá. A trajetória administrativa seguiu o padrão do interior alagoano: distrito em 1861, vila em 1872 — desmembrada de Imperatriz, hoje União dos Palmares —, e cidade em 1892, impulsionada pela chegada da via férrea uma década antes, em 1882.