História
A história de Campos Altos começa muito antes da estação de trem. O verbete do IBGE registra que, em meados do século XVIII, escravizados fugidos da região de São João del-Rei e de outras vilas mineradoras se abrigaram nas serras do que é hoje o município e formaram mais de vinte núcleos de resistência — a região era conhecida como Sertão dos Quilombos de Campo Grande, e o maior deles, o Quilombo do Ambrósio, tem as ruínas no distrito de São Jerônimo dos Poções. A ocupação colonial só se abriu nos anos 1750, com a derrota dos quilombolas. Depois veio a fazenda: a Fazenda Palestina, nascida de uma sesmaria requerida no local, e em 1913 a estação da estrada de ferro Urubu nas terras dela, com armazéns e as cafuas de dormentes onde moravam os trabalhadores braçais da linha. Em 1921 a estação virou Campos Altos. No papel, a formação administrativa é bem mais recente que a do resto do Alto Paranaíba: o distrito foi criado pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, desmembrado do distrito de Pratinha e subordinado ao município de Ibiá; o município nasceu pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, desmembrado de Ibiá e de São Gotardo, com três distritos — a sede, Pratinha (que vinha de Ibiá) e São Jerônimo dos Poções (que vinha de São Gotardo) — e foi instalado em 1º de janeiro de 1944, data que a Câmara Municipal registra na sua página de história. Cinco anos depois o território já encolhia: a Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, emancipou Pratinha. Desde a divisão territorial de 1º de julho de 1960 são dois distritos, e assim permanece. A comarca é a última camada a chegar: 2002, quase sessenta anos depois do município.