História
Carangola é filha do café, não do ouro — e isso é raro em Minas. A região ficou fora do mapa colonial de propósito: era "área proibida", interditada para conter o contrabando de ouro, e só se abriu na primeira metade do século XIX, quando os que vieram procurar lavra nova não acharam metal e tiveram de plantar. O topônimo veio antes dos colonos — "Carangola" já aparecia nos mapas da Capitania em 1780, quando ali só havia os Purís e a mata. A cronologia oficial que o IBGE reconstitui começa em distrito policial de Santa Luzia do Carangola, pela Lei Provincial nº 1.860, de 7 de outubro de 1860; passa a distrito subordinado a São Paulo do Muriaé em 1866; vira vila desmembrada de Muriaé pela Lei Provincial nº 2.500, de 12 de novembro de 1878, instalada em 7 de janeiro de 1882 — data que segue no calendário de feriados que o TJMG publica para a comarca; e ganha o nome atual pela Lei Provincial nº 2.848, de 25 de outubro de 1881. A comarca foi instalada em 2 de abril de 1892. O que veio depois foi um século de repartição: a Lei estadual nº 843, de 1923, levou Tombos; o Decreto-lei estadual nº 148, de 1938, tirou Divino e Espera Feliz de uma só vez; a Lei nº 1.039, de 1953, levou São Francisco do Glória e, no mesmo ato, criou o distrito de Fervedouro; a Lei nº 2.764, de 1962, criou Lacerdinha e Ponte Alta de Minas; e a Lei nº 10.704, de 27 de abril de 1992, emancipou Fervedouro com São Pedro do Glória e Bom Jesus do Madeira. O município que tinha oito distritos em 1933 ficou com quatro.