História
A história de Mateus Leme começa com ouro e termina em subúrbio industrial, passando por seis municípios diferentes. O arraial do Morro de Mateus Leme existia em 1739 e 1745, e uma sesmaria de 1710 já nomeava o morro; o bandeirante que lhe deu o nome foi, segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros do IBGE, genro de Borba Gato. Os aquedutos e lavrados que o estudioso Teóphilo de Almeida encontrou no morro sugerem mineração aurífera cara e, portanto, rentável. Ainda assim o arraial atravessou o século XVIII como simples capela curada da freguesia de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral del Rei — a futura Belo Horizonte. Em 1826 tinha 410 fogos e 2.556 almas. A freguesia veio em 1832, com o nome de Santo Antônio do Morro de Mateus Leme, e daí em diante o distrito mudou de dono a cada geração: Sabará, Pitangui, Pará (o antigo Patafufo, 1848), Bonfim (1850 e 1870) e novamente Pará de Minas (1877). A autonomia veio pela Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, com três distritos — a sede, Igarapé e Serra Azul. O município então cresceu por dentro e encolheu por fora: criou Azurita (1943), Juatuba (1948) e São Joaquim de Bicas (1953), e viu Igarapé e São Joaquim de Bicas saírem em 1962 (Lei nº 2.764) e Juatuba em 1992 (Lei nº 10.704). A comarca, instalada em 1975, é do meio desse processo — e hoje divide a região com as comarcas dos dois ex-distritos.