História
Barra do Bugres não nasceu de lavoura nem de garimpo, mas de uma raiz medicinal. Por volta de 1878, povoadores vindos de Cuiabá subiram o rio Paraguai atrás da poaia — a ipecacuanha, planta de cujo rizoma se extraía o princípio usado contra a disenteria e vendido caro na Europa. Acamparam na barra do rio Bugres, o ponto em que ele desemboca no Paraguai, e desse ponto fizeram a porta de entrada da região da poaia. Vieram depois a borracha nativa, a madeira de lei e o cedro, tudo escoado pelo próprio rio até Cáceres e dali para os portos. Em 1926 a vila entrou na história nacional pelo lado duro: a Coluna Prestes atacou o povoado e a resistência local deixou cerca de quinze mortos às margens do Paraguai, com a vila saqueada e incendiada. A organização administrativa veio com o crescimento do comércio extrativista — em dezembro de 1940 instalou-se a Coletoria de Rendas Estaduais e, em 3 de dezembro de 1943, o Decreto estadual nº 545 criou o município, num caso incomum de desmembramento simultâneo de três territórios: Diamantino, Cáceres e Rosário Oeste. A instalação ocorreu em 19 de abril de 1944, sob o primeiro prefeito, o professor Alfredo José da Silva. A virada seguinte é dos anos 1980, quando migrantes de Minas Gerais, São Paulo e Ceará trouxeram a pecuária e a cana-de-açúcar, e a cidade do extrativismo virou cidade de usina.