Cidade de MT

Poconé

Poconé é a porta de entrada do Pantanal norte: 17.156 km² de território, cerca de 31 mil habitantes e a Rodovia Transpantaneira começando na saída da cidade. Nasceu do ouro de Beripoconé, em 1777, virou Vila em 1831 e é sede de comarca do TJMT desde a Lei nº 67, de 1937 — uma Vara Única de competência geral, que concentra Tribunal do Júri, execução penal e todo o resto no mesmo juízo.

UF
MT
Porte
pequena
População
31.217 hab.

Para questões judiciais em Poconé (MT), o juízo competente é da Comarca de Poconé — é lá que correm os processos criminais e cíveis da cidade. Esta página reúne a comarca, os órgãos e contatos oficiais do município, os telefones de emergência e a custódia prisional da região. Advogado pode atuar em qualquer comarca do país (art. 7º, I, da Lei 8.906/94) — o atendimento do escritório é remoto e presencial.

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Atendimento SMARGIASSI

SMARGIASSI Advogado — OAB/MG 155.242 · Criminalista especializado em Tribunal do Júri e execução penal. Atuação em Direito Criminal (Tribunal do Júri), Família, Cível, Consumidor, Imobiliário e Empresarial, com escritório em Guaxupé/MG e atendimento nacional.

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Particularidades

História

A história de Poconé começa com ouro e com um nome recusado. Em 1777, no governo de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, foram encontradas minas na paragem que os indígenas da região chamavam de Beripoconé. Quatro anos depois, em 21 de janeiro de 1781, Antônio José Pinto de Figueiredo lavrou a ata de fundação do arraial — e a autoridade colonial trocou o nome indígena pelo de São Pedro d'El Rey, por julgá-lo impróprio para um núcleo do Reino. O povo não obedeceu: encurtou Beripoconé e seguiu dizendo Poconé. Em 25 de outubro de 1831, já sob o governo regencial, o povoado foi elevado à condição de Vila de Poconé, com território desmembrado de Cuiabá, tornando-se um dos primeiros municípios criados na Província de Mato Grosso. A elevação a cidade veio em 1º de julho de 1863, pela Lei Provincial nº 01. Quando o ouro de superfície se esgotou, no século XIX, a vila não morreu: virou-se para o gado, aproveitando as pastagens naturais que a planície alagável oferece de graça, e essa reconversão explica por que o casario colonial sobreviveu ao fim do ciclo minerador em vez de virar ruína — o município mudou de economia sem mudar de lugar. No fim dos anos 1980, veios auríferos redescobertos trouxeram de volta o garimpo e, com ele, uma segunda febre, mais curta e mais conflituosa que a primeira.

Economia

A economia de Poconé é a soma de três coisas que quase não conversam entre si: gado, ouro e onça. A pecuária extensiva ocupa a maior parte dos 17.156 km² do município e se apoia nas pastagens nativas do Pantanal, num sistema em que a cheia e a seca definem o calendário — o rebanho sobe para as cordilheiras quando a água chega e desce quando ela vai embora. O ouro nunca saiu de cena: do garimpo colonial à retomada do fim dos anos 1980, a lavra segue presente e arrasta consigo um contencioso próprio, de autorização de pesquisa e lavra a crime ambiental e disputa entre garimpeiro e proprietário da área. A terceira perna é o turismo: a Rodovia Transpantaneira (MT-060) parte de Poconé em direção a Porto Jofre, atravessando dezenas de pontes de madeira sobre baías e corixos, e é hoje um dos corredores mais procurados do mundo para observação de onça-pintada e de aves — o que sustenta pousadas, guias, barqueiros e transporte. Para o direito, essa composição produz um contencioso rural e ambiental incomum num município de trinta mil habitantes: posse e domínio de fazendas em área alagável, licenciamento, responsabilidade por queimada, transporte irregular de gado, além das relações de trabalho sazonais do turismo e da pecuária. E como quase tudo acontece longe da sede, a prova costuma depender de perícia, de deslocamento e de testemunha que mora a horas de estrada do fórum.

Panorama jurídico

Poconé é sede de comarca do Tribunal de Justiça de Mato Grosso desde a Lei nº 67, de 4 de março de 1937 — oitenta e oito anos completados em março de 2025, data que o TJMT celebrou institucionalmente. A comarca funciona com Vara Única de competência geral: o mesmo juízo decide ação de família, execução fiscal, inventário, ação penal comum, processo do Tribunal do Júri e incidentes de execução penal. Para quem litiga aqui, essa é a informação mais prática de todas — não existe vara criminal separada cuja pauta corra em paralelo, e por isso a agenda do juízo é o principal fator de tempo de qualquer processo, inclusive de uma sessão de julgamento pelo Júri. Quanto à entrância, comunicações do TJMT descrevem Poconé como comarca de entrância inicial; a norma que hoje rege o tema é a Lei Complementar Estadual nº 774, de 19 de setembro de 2023, que alterou a Lei nº 4.964/1985, o Código de Organização e Divisão Judiciárias do estado, para dispor sobre a unificação de entrância das comarcas de primeira instância. Ser sede é uma vantagem que o poconeano nem sempre percebe: o vizinho de Nossa Senhora do Livramento, por exemplo, responde perante a Comarca de Várzea Grande, instalada em 1984. Duas outras marcas organizam o trabalho aqui. A primeira é a distância interna: com território de dezessete mil quilômetros quadrados e boa parte da população fora da zona urbana, mandado de citação, intimação de testemunha e condução coercitiva enfrentam estrada de chão e período de cheia. A segunda é a execução penal: como a relação vigente de unidades penais da Sejus-MT não traz unidade sediada em Poconé, o condenado costuma cumprir pena fora do município, ainda que o incidente seja decidido pelo juízo local — descompasso que pesa na instrução de pedidos de progressão e no contato do preso com a defesa. Vale registrar, do lado positivo, que o TJMT aponta a comarca como a primeira do estado a receber inquérito policial eletrônico no PJe Criminal.

Patrimônio

O centro histórico de Poconé recebeu proteção estadual em 2007, e o que se tomba ali é o desenho de uma vila de mineração do século XVIII que sobreviveu intacta ao fim do ouro: casario baixo de fachada colonial, praça da matriz e ruas que ainda seguem o traçado do arraial de 1781. Mas o patrimônio mais vivo do município é imaterial e tem data marcada. Em junho, a Festa de São Benedito reúne a Cavalhada de Poconé — encenação de origem portuguesa em que cavaleiros disputam torneio a cavalo — e a Dança dos Mascarados, cortejo de máscaras que percorre a cidade, além do siriri e do cururu, os dois ritmos tradicionais da cultura cuiabana. Poconé é também apontada como berço do lambadão cuiabano, gênero que surgiu nos anos 1980 misturando lambada, carimbó e rasqueado e que se espalhou por Mato Grosso a partir dali. Some-se a isso o Quilombo Capão Verde, comunidade remanescente que preserva memória e modo de vida afro-pantaneiros, e a paisagem da própria planície — baías, corixos, cordilheiras e o gado solto entre elas. O município guarda, portanto, três camadas de patrimônio que raramente aparecem juntas: pedra colonial, festa popular e território tradicional.

Curiosidades

Poconé é uma cidade que carrega, no nome, uma desobediência de dois séculos e meio. A autoridade colonial recusou Beripoconé por considerá-lo impróprio e registrou o arraial como São Pedro d'El Rey em 1781; o nome oficial durou o tempo dos papéis, e a fala popular impôs Poconé, que acabou virando o nome da Vila em 1831. Outra curiosidade está na aritmética do território: o município tem 17.156 quilômetros quadrados — área maior que a de alguns estados brasileiros — e apenas 1,82 habitante por quilômetro quadrado, um dos vazios demográficos mais nítidos do Centro-Oeste. É desse vazio que sai a rodovia mais improvável do país: a Transpantaneira, MT-060, começa em Poconé, corre sobre aterro no meio da planície alagável e é atravessada por uma sequência de pontes de madeira; construída para chegar ao rio Paraguai, virou, sem planejamento, um dos melhores lugares do mundo para ver onça-pintada. Por fim, a música: o lambadão cuiabano, hoje trilha sonora de todo o estado, é reivindicado por Poconé como invenção local dos anos 1980 — o que faz da cidade do ouro colonial também a cidade de um ritmo de baile.

Educação e cidadania

Num município em que a população se espalha por dezessete mil quilômetros quadrados, o acesso à justiça depende menos de prédio e mais de informação e de deslocamento. A comarca instalada na sede é a principal porta: é ali que se registra, que se pede alimentos, que se responde a processo criminal e que se discute progressão de regime, tudo perante a mesma Vara Única. Para quem não pode constituir advogado, o caminho ordinário é a assistência jurídica gratuita; esta ficha não confirmou, em fonte oficial, a existência de núcleo permanente da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso instalado em Poconé, e por isso não afirma que exista. Onde não há defensor público atuando, o juízo nomeia advogado dativo para quem não tem condições de contratar, com honorários arbitrados pelo próprio juízo — providência prevista no art. 263 do Código de Processo Penal e rotineira no interior mato-grossense. Telefone, e-mail e endereço atualizados do fórum devem ser buscados no portal Canais Permanentes de Acesso do TJMT, que é a fonte oficial desses dados. Vale lembrar ainda que Poconé abriga comunidade quilombola e populações pantaneiras cujo modo de vida gera demandas específicas — territoriais, ambientais e previdenciárias rurais —, e que a distância até a sede é, para muitas dessas famílias, o principal obstáculo entre o direito e o processo.

Segurança e fronteira

Do ponto de vista da custódia, Poconé é um município que decide sem guardar: a comarca julga e executa a pena, mas a relação de unidades penais publicada pela Sejus-MT, consultada em agosto de 2026, não lista estabelecimento prisional sediado na cidade. Entre as unidades relacionadas, as mais próximas estão no eixo Cuiabá–Várzea Grande e em Santo Antônio de Leverger, onde funciona a Colônia Penal Agrícola de Palmeiras. Reportagens antigas do governo estadual mencionavam uma cadeia pública no município, com perfil de preso de baixa periculosidade e maioria de reeducandos locais, mas essa unidade não consta da relação vigente e esta ficha não afirma que continue ativa. A consequência prática é conhecida de quem atua no interior de Mato Grosso: audiência de custódia e ação penal correm em Poconé, enquanto a pessoa presa fica em outra cidade. Isso encarece a visita familiar, atrasa a juntada de atestado de conduta carcerária, dificulta a entrevista reservada antes da audiência e transforma a simples localização do custodiado — em qual unidade ele está, sob qual matrícula — no primeiro trabalho técnico do caso.

Dados do município

Mesorregião
Centro-Sul Mato-grossense
Microrregião
Alto Pantanal
Área (km²)
17156.759
População (Censo 2022)
31.217
Densidade demográfica (hab/km²)
1.82

Fonte: IBGE (Cidades e Estados).

Órgãos e instituições — Poconé/MT

Justiça Estadual — Comarca

Nome
Comarca de Poconé — TJMT
Tribunal
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT)
Sede
Poconé
Nota Jurisdicao
Poconé é sede de comarca própria — quem mora no município não precisa litigar em outra cidade. A lista completa de municípios eventualmente abrangidos pela comarca não foi confirmada em ato oficial nesta pesquisa e, por isso, não é afirmada aqui. Confirmado, sim, o vizinho de oeste: Nossa Senhora do Livramento não pertence a Poconé, e sim à Comarca de Várzea Grande, instalada em 18/12/1984, conforme o próprio TJMT.
Inovacao
Matérias institucionais do TJMT registram a Comarca de Poconé como a primeira do estado a receber inquérito policial eletrônico no PJe Criminal, experiência depois estendida a outras comarcas mato-grossenses.
Criacao
Base Legal
Lei nº 67, de 4 de março de 1937
Aniversario
A comarca completou 88 anos de criação em 4 de março de 2025, data celebrada institucionalmente pelo TJMT ao lado de outras três comarcas criadas pela mesma leva de 1937.
Entrancia
Descricao Tjmt
Comunicações do TJMT descrevem a Comarca de Poconé como de entrância inicial.
Norma Vigente
A Lei Complementar Estadual nº 774, de 19 de setembro de 2023, alterou a Lei nº 4.964/1985 — o Código de Organização e Divisão Judiciárias de Mato Grosso — para dispor sobre a unificação de entrância das comarcas de primeira instância do estado.
Estrutura
Varas
Vara Única de competência geral: o mesmo juízo responde por matéria cível e criminal, o que inclui o Tribunal do Júri e os incidentes de execução penal dos processos da comarca.
Contato
Canais de atendimento
canaispermanentesdeacesso.tjmt.jus.br
Site Tjmt
www.tjmt.jus.br
Pagina Comarca
corregedoria.tjmt.jus.br/pagina/175

Estabelecimentos penais

Panorama
A relação de unidades penais publicada pela Sejus-MT e consultada em 2 de agosto de 2026 não traz unidade prisional sediada em Poconé — as unidades ali listadas mais próximas do município ficam na região de Cuiabá, Várzea Grande e Santo Antônio de Leverger, onde funciona a Colônia Penal Agrícola de Palmeiras. Reportagens antigas do próprio governo estadual mencionam uma Cadeia Pública de Poconé, mas ela não consta da relação vigente, e esta ficha não afirma que a unidade continua ativa.
Consequencia Pratica
Na prática, isso significa que o preso provisório e o condenado de Poconé tendem a ser custodiados fora do município. A família viaja para visitar, o advogado viaja para entrevistar o cliente antes da audiência, e o pedido de progressão ou de livramento depende de atestado de conduta emitido por unidade que fica em outra cidade — enquanto o processo de execução continua correndo na Vara Única de Poconé.

Prefeitura Municipal

Telefone
Site
www.pocone.mt.gov.br

Emergências

Pm
190
Samu
192
Bombeiros
193
Policia Civil
197
Defesa Civil
199
Central Mulher
180
Cvv
188
Direitos Humanos
100
Disque Denuncia
181
Ouvidoria M P
127

Violência contra a mulher — Ligue 180

180

Denúncia e orientação para mulheres em situação de violência. Atendimento 24h, sigiloso.

Apoio emocional — CVV

188

Ligação gratuita, sigilosa, 24h. Você não precisa estar em crise para ligar.

Emergências e apoio

Telefones gratuitos válidos em todo o Brasil. Discagem direta — não precisa de prefixo.

Utilidade pública

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SMARGIASSI Advogado — OAB/MG 155.242 · Criminalista especializado em Tribunal do Júri e execução penal. Atuação em Direito Criminal (Tribunal do Júri), Família, Cível, Consumidor, Imobiliário e Empresarial, com escritório em Guaxupé/MG e atendimento nacional.

Resposta em horário comercial · Sigilo profissional