História
A história de Poconé começa com ouro e com um nome recusado. Em 1777, no governo de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, foram encontradas minas na paragem que os indígenas da região chamavam de Beripoconé. Quatro anos depois, em 21 de janeiro de 1781, Antônio José Pinto de Figueiredo lavrou a ata de fundação do arraial — e a autoridade colonial trocou o nome indígena pelo de São Pedro d'El Rey, por julgá-lo impróprio para um núcleo do Reino. O povo não obedeceu: encurtou Beripoconé e seguiu dizendo Poconé. Em 25 de outubro de 1831, já sob o governo regencial, o povoado foi elevado à condição de Vila de Poconé, com território desmembrado de Cuiabá, tornando-se um dos primeiros municípios criados na Província de Mato Grosso. A elevação a cidade veio em 1º de julho de 1863, pela Lei Provincial nº 01. Quando o ouro de superfície se esgotou, no século XIX, a vila não morreu: virou-se para o gado, aproveitando as pastagens naturais que a planície alagável oferece de graça, e essa reconversão explica por que o casario colonial sobreviveu ao fim do ciclo minerador em vez de virar ruína — o município mudou de economia sem mudar de lugar. No fim dos anos 1980, veios auríferos redescobertos trouxeram de volta o garimpo e, com ele, uma segunda febre, mais curta e mais conflituosa que a primeira.