História
A história de Pontal do Araguaia começa dentro do cascalho. Antes de haver cidade, havia garimpo: as ações garimpeiras nos rios Garças e Araguaia atraíram para a ponta de terra entre os dois cursos famílias vindas de Goiás, de Minas Gerais e do Nordeste. Os nordestinos chegaram fugindo da seca e encontraram, além do cascalho diamantífero, a mangabeira do cerrado — matéria-prima da chamada Primeira Borracha, no fim do século XIX e começo do XX. Entre os pioneiros ficou o nome do mineiro João José de Morais, o Cajango, que conhecia a área a fundo e incentivou a cata de diamantes; era amigo dos Bororo que ainda habitavam a região e que lhe indicavam os melhores monchões a trabalhar. A vida nas corrutelas era dura e a autoridade, distante: o próprio governo estadual hesitava em impor presença policial, e o registro histórico oficial descreve uma região garimpeira que virou terra sem lei, marcada pela luta caudilhesca entre Morbeck e Carvalhinho. Sobre esse território pesou também uma disputa de fronteira: por décadas a região sofreu a influência política de Goiás, que anexara vasto espaço mato-grossense no início do século XX, até que Mato Grosso foi declarado, na Corte Suprema, detentor da margem esquerda do Araguaia — onde está Pontal. A ocupação ordenada só veio com a fronteira agrícola, e a autonomia municipal chegou tarde: a Lei Estadual nº 5.097, de 20 de dezembro de 1991, criou o município, desmembrado de Torixoréu e Guiratinga, instalado em 1º de janeiro de 1993.