História
Porto Esperidião começou como um ponto de amarração no rio Jauru, não como cidade. As origens da região se confundem com as de Vila Bela da Santíssima Trindade, a antiga capital, mas o povoado só se fixou quando a Comissão Rondon instalou um posto telegráfico às margens do Jauru — e o lugar passou a se chamar Porto Salitre, porque o ancoradouro ficava junto a um barreiro de salinas que os animais procuravam para lamber os sais minerais do solo, salinas já conhecidas desde as incursões do século XVIII. O nome atual veio em 1920, em homenagem ao engenheiro Manoel Esperidião da Costa Marques, nascido em Poconé, que em 25 de agosto de 1898 iniciou, a partir de São Luiz de Cáceres, os estudos de navegabilidade do rio Jauru — da foz no rio Paraguai até o Porto do Registro — e depois propôs ferrovias para integrar o oeste mato-grossense. A vida administrativa veio pelo Decreto-lei estadual nº 545, de 31 de dezembro de 1943, que criou o distrito de Porto Esperidião subordinado a Cáceres; ali ele permaneceu por mais de quarenta anos, atravessou as divisões territoriais de 1950, 1960 e 1983, e só se emancipou pela Lei Estadual nº 5.012, de 13 de maio de 1986, instalado como município em 31 de dezembro daquele ano. A rede telegráfica que dera origem ao povoado já havia sido desativada em meados dos anos 1950; o rio, esse continuou mandando na vida da cidade — a segunda ponte de madeira sobre o Jauru é de 1956, e só em 1982 uma ponte de concreto foi aberta ao tráfego.