História
Canto do Buriti é filho de um ciclo econômico que quase ninguém lembra: o da maniçoba, a "borracha do sertão". No fim do século XIX, o povoado Guaribas cresceu no centro da mata porque a seiva extraída dos maniçobais nativos tinha comprador certo no mercado internacional, inflado pela demanda por borracha. O dinheiro do látex transformou o lugarejo em vila e sede municipal em 1915, pela Lei estadual nº 837, já com o nome de Canto do Buriti, desmembrado de São João do Piauí. A prosperidade durou pouco: a queda brusca do preço da maniçoba, batida pela borracha asiática, derrubou a economia local e o próprio município — o Decreto estadual nº 1.279, de 1931, o extinguiu, devolvendo o território a São João do Piauí. A recuperação veio pela agricultura e pela pecuária, e o Decreto estadual nº 1.575, de 17 de agosto de 1934, recriou o município, instalado em 29 de março de 1938. Poucas cidades piauienses têm essa biografia de morte e ressurreição administrativa — e ela explica por que o canto-buritiense trata a autonomia local como conquista, não como dado.