História
Carlos Chagas começou onde dois rios se encontram. O povoado de Urucu nasceu na confluência do Urucu com o Mucuri, batizado pelos pés de urucum, e por décadas foi apenas distrito de Teófilo Otoni. A fixação dos primeiros moradores só ocorreu em meados do século XIX, e o verbete do IBGE nomeia entre eles o ferreiro Somerlate, alemão, e, em 1900, João Gomes Euzébio, que explorava madeira para a estrada de ferro. Quatro obras trouxeram gente ao Vale do Urucu: a Companhia de Comércio e Navegação do Rio Mucuri, fundada por Teófilo Benedito Otoni; a estrada de rodagem entre Santa Clara e Filadélfia, hoje Teófilo Otoni, aberta entre 1853 e 1857; os trilhos da Estrada de Ferro Bahia e Minas; e a indústria extrativa de madeira. O Decreto-Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, fez as duas coisas de uma vez: trocou o nome do distrito de Urucu para Carlos Chagas e criou o município, desmembrado de Teófilo Otoni com os distritos de Carlos Chagas e Indiana. A história judiciária vem depois da história política, e devagar: no quadro territorial de 1939-1943 e ainda no de 1944-1948, Carlos Chagas era termo judiciário da comarca de Teófilo Otoni — termo que reunia Carlos Chagas e Águas Formosas. O município chegou a ter Nanuque como distrito; Nanuque foi elevada a município pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, e no quadro da Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, aparece pela primeira vez a expressão "comarca de Carlos Chagas", ao se transferir o distrito de Vila Pereira para o novo município vizinho. Desde 1953 a divisão territorial ficou estável em Carlos Chagas, Epaminondas Otoni e Presidente Pena, e é essa a geografia que o TJMG reconhece como distritos judiciários até hoje.