História
Nanuque é filha de uma ferrovia. O verbete do IBGE conta que a região do Mucuri, ocupada por grupos botocudos, resistiu à colonização até que a Companhia de Comércio e Navegação do Rio Mucuri, autorizada pelo Decreto nº 802, de 12 de julho de 1851, abrisse caminho pelo vale; depois veio a Estrada de Ferro Bahia-Minas, criada pela Lei mineira nº 2.775, de 25 de outubro de 1878, e pela Lei baiana nº 1.946, de 28 de agosto de 1879, com obras iniciadas em 25 de janeiro de 1881. No km 170 dos trilhos, um córrego chamado Sete de Setembro abastecia as locomotivas de água a balde; quando se construiu uma caixa d'água, o lugar passou a se chamar assim — Caixa D'Água. Em 1911 um arrendatário da ferrovia comprou terrenos ali e trouxe, de uma vez, operários, famílias de várias nacionalidades e um vagão convertido em estação telegráfica; a Serraria Industrial do Mucuri foi inaugurada em 7 de setembro de 1912, data que a cidade adotou como fundação. A vida administrativa correu por outro trilho: distrito de Santa Clara do Mucuri pela Lei Provincial nº 2.829, de 24 de outubro de 1881, subordinado a Teófilo Otoni; Aimorés em 1902; Indiana em 1923; transferido para o novo município de Carlos Chagas em 1938; Nanuque desde o Decreto-lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943. O município veio pela Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, com instalação em 1º de janeiro de 1949 e três distritos — Nanuque, Alto Itaúna e Serra dos Aimorés. Perdeu os dois: Serra dos Aimorés se emancipou pela Lei nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, e Alto Itaúna deixou de ser mineiro, incorporado ao Espírito Santo pelo acordo entre os dois estados firmado nos Decretos nº 7.166 (Minas) e nº 264 (Espírito Santo), ambos de 15 de setembro de 1963. A comarca, instalada em 1958, testemunhou tudo isso.