História
Poucos municípios brasileiros foram criados, extintos e recriados três vezes, e São João Nepomuceno é um deles. A Lei provincial nº 202, de 1º de abril de 1841, elevou o povoado a vila e o desmembrou do Pomba; a de nº 209, do mesmo mês, fez do curato uma paróquia. Dez anos depois vieram as duas perdas: em 10 de setembro de 1851 a sede da vila foi transferida para o arraial do Cágado, que passou a chamar-se Mar de Espanha, e a Lei nº 542, de 9 de outubro do mesmo ano, suprimiu a freguesia e incorporou o território a Rio Novo. A Lei nº 1.053, de 6 de julho de 1859, restaurou a freguesia; a Lei nº 1.600, de 28 de julho de 1868, restaurou a vila e lhe deu as freguesias de São João Nepomuceno e Rio Novo, o distrito da Santíssima Trindade do Descoberto — tirado de Mar de Espanha — e o distrito de Piau, tirado de Juiz de Fora. Em 1870 perdeu tudo outra vez: a Lei nº 1.664, de 13 de setembro, transferiu a sede municipal para Rio Novo. A recriação definitiva é da Lei nº 2.677, de 30 de novembro de 1880, que elevou a freguesia a vila, e da Lei nº 2.848, de 25 de outubro de 1881, que fez dela cidade; o município foi solenemente instalado em 7 de janeiro de 1883, com a posse da Câmara. A comarca veio nove anos depois, instalada em 10 de março de 1892. O epílogo está num documento do século XXI: a lista de substituição de comarca vaga que o TJMG publica para São João Nepomuceno começa por Rio Novo e termina em Mar de Espanha — as duas cidades que, no século XIX, ficaram com a sede que era daqui e que hoje são as primeiras a cobrir a ausência do juiz desta comarca. Os números de lei são os que o verbete do IBGE registra, com a fonte declarada nos arquivos históricos da Agência do IBGE em Bicas, e não foram conferidos em repositório de legislação provincial.