História
A história de São Joaquim de Bicas é a de um arraial que perdeu o cartório para o vizinho e, um século depois, ganhou dele a independência — para voltar a depender dele no fórum. O verbete do IBGE conta que bandeirantes subiram o Paraopeba, famílias se fixaram para plantar e criar gado, e uma capela com a imagem de São Joaquim reuniu moradores e tropeiros. Em 1880 o lugar recebeu cartório de registro e foi elevado a distrito de Pará de Minas, com paróquia própria criada pelo arcebispo de Mariana; mas o cartório foi transferido para o povoado do Barreiro — o atual Igarapé — e São Joaquim de Bicas voltou à condição de povoado, ainda que sede da paróquia. A tradição local guarda o episódio da pedra fundamental da nova igreja: homens de Igarapé teriam vindo roubá-la e sido expulsos por mulheres armadas de foices e enxadas; a pedra foi enterrada sob o altar. A vida administrativa seguiu a lei: distrito criado pela Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, com terras desmembradas do distrito de Igarapé e subordinado a Mateus Leme; transferido em 30 de dezembro de 1962, pela Lei nº 2.764, para o novo município de Igarapé; e município por desmembramento de Igarapé pela Lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, com instalação em 1º de janeiro de 1997. Em 1º de setembro de 1998 o TJMG instalou a Comarca de Igarapé — e São Joaquim de Bicas, emancipado havia vinte meses, entrou nela como município jurisdicionado. O cartório que saiu em 1880 nunca voltou.