História
Três Marias é das poucas cidades mineiras cuja certidão de nascimento cabe em duas leis e um abaixo-assinado. O território era do distrito de Andrequicé, no município de Corinto, quando a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962 — a lei que redesenhou a divisão administrativa inteira do estado — criou, no item 58 da sua relação, o município de Barreiro Grande, com dois distritos: Barreiro Grande e Andrequicé. O município foi instalado em 1º de março de 1963, e a mesma lei, ao descrever os limites municipais, já usava como marco a "barragem de Três Marias, no rio São Francisco", na divisa com São Gonçalo do Abaeté: a represa era mais antiga que a cidade e mais conhecida que ela. O verbete do IBGE conta o resto sem meias palavras: a cidade não foi planejada, as primeiras casas subiram sem alinhamento para abrigar os operários da obra da barragem, o comércio que os seguiu e os fazendeiros que já estavam ali. Durante treze anos o lugar se chamou Barreiro Grande, "o que não agradava à população local" — e em 1975, com projeto de lei encaminhado à Câmara e abaixo-assinado da maioria dos eleitores, veio a Lei estadual nº 6.756, de 17 de dezembro, que trocou o topônimo. A comarca só chegaria dezessete anos depois, instalada em 21 de junho de 1992. Três marcos, portanto, e nenhum deles colonial: 1962, o município; 1975, o nome; 1992, o foro.