História
A cronologia de Turmalina é curta em séculos e estranha em ordem. Segundo o verbete do IBGE, os primeiros a chegar foram bandeirantes paulistas conduzidos por Sebastião Leme do Prado, por volta de 1750-1760, atrás do ouro das margens do rio Araçuaí. Como faltava comida para os mineradores, parte dos colonos trocou a lavra pela lavoura e se espalhou pelas margens do Araçuaí, do Ribeirão do Lourenço e do rio Itamarandiba, longe da vila, erguendo capelas onde parava. De uma delas, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, nasceu o arraial — fundado, diz o verbete, por fazendeiros que viviam do gado e do algodão e que vendiam a produção aos garimpeiros de Minas Novas. Turmalina começou, em suma, como o celeiro do garimpo do vizinho. O distrito de Nossa Senhora da Piedade foi criado pela lei provincial nº 148, de 3 de abril de 1840, dentro do município de Minas Novas. O nome mudou para Turmalina pela Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923 — data conferida no texto original da lei na base da ALMG, e que não é a que o verbete do IBGE publica. A emancipação veio pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, onde Turmalina aparece como "distrito emancipado", número 69 de uma lista de 72: o novo município nasceu com três distritos — Turmalina, Caçaratiba e Veredinha — desmembrados de Minas Novas. Meio século depois, em 21 de dezembro de 1995, a Lei estadual nº 12.030 devolveu a Veredinha a autonomia que Turmalina lhe havia tomado, levando consigo o distrito de Mendonça. A mesma lei de 1995 criou, do outro lado, Leme do Prado e José Gonçalves de Minas — e os dois nasceram vinculados à comarca de Minas Novas, não a esta. O capítulo judiciário é o mais recente e o menos documentado. Turmalina já era comarca em lei em 1995, quando a Lei nº 12.030 vinculou Veredinha à "Comarca: Turmalina", mas só foi instalada em 15 de agosto de 2003, segundo o Guia Judiciário. Entre uma data e outra houve pelo menos oito anos de comarca criada e não instalada — situação que em Minas significa que a jurisdição continua com a comarca originária até a audiência solene de instalação. E, em algum ponto depois de 1995, Leme do Prado e José Gonçalves de Minas deixaram Minas Novas e passaram para cá: o confronto entre o texto original e o texto vigente do Anexo II da LC 59/2001 mostra os dois municípios saindo de um item e entrando no outro. A comarca que tem pouco mais de vinte anos cresceu à custa da comarca de 1892 de cujo território ela mesma saiu.