História
Vazante não nasceu de bandeirante nem de veio de ouro: nasceu de uma aparição e de uma divisão de fazenda. O relato que o IBGE recolheu da própria Prefeitura conta que um casal de viajantes viu a imagem de Nossa Senhora da Lapa numa gruta da Serra da Lapa, veio a capela, veio a romaria e em torno da capela veio o casario. O patrimônio de Nossa Senhora da Lapa — vinte alqueires doados por Ana Gonçalves, a Ana Pintada, por Gervásio Gonçalves dos Santos e por Gustavo Alves Rosa — foi demarcado em 1917 dentro da Fazenda Vazante, e por volta de 1920 a primeira rua, a atual Rua Salatiel Corrêa, já existia. O arraial era então parte do distrito de Guarda-Mor, no município de Paracatu; o distrito próprio veio com o Decreto-Lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, cujo anexo de limites traça a divisa "entre os distritos de Guarda-Mor e Vazante". O cartório de paz e notas só se instalou em 1944, com termo de abertura do livro 001 em 29 de abril. A emancipação é uma história de corrida de documento: quando a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, abriu o quinquênio para novos municípios, a liderança de Guarda-Mor pediu a sua emancipação e mandou telegrama dizendo que Vazante "não está à altura de ser emancipado"; os vazantinos redigiram no cartório um abaixo-assinado em sentido contrário e, temendo que o telegrama chegasse primeiro, fizeram uma vaquinha e mandaram um portador entregar o documento em mãos ao deputado. Deu certo: a Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, criou o município com três distritos — sede, Guarda-Mor e Claro de Minas —, o intendente nomeado instalou-o em 1º de janeiro de 1954 e o primeiro prefeito eleito tomou posse em 31 de janeiro de 1955. A Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, devolveu a Guarda-Mor a autonomia que ela havia pedido nove anos antes. A comarca chegou por último, em 19 de outubro de 1990, e trouxe de volta, agora como jurisdição, o vizinho que havia saído como município.