História
Poucas cidades brasileiras nasceram tão deliberadamente quanto Vila Bela. Em 19 de março de 1752, Antônio Rolim de Moura Tavares, primeiro governador e capitão-general da Capitania de Mato Grosso, instalou a vila às margens do Guaporé cumprindo ordem régia: era preciso um centro de governo fincado na fronteira, num tempo em que a linha entre os domínios português e espanhol ainda se desenhava a golpes de ocupação efetiva. O nome veio antes da cidade — Vila Bela da Santíssima Trindade — e a função também. Por décadas ali despacharam os capitães-generais, e dali saíram as ordens que sustentaram a presença lusa no extremo oeste. O declínio veio pelo mesmo motivo que a criou: distância, febres, ausência de rotas comerciais. Cuiabá, entroncamento de caminhos e centro de negócios, foi absorvendo a administração — a partir de 1820 o governo passou a se dividir entre as duas praças e, em 1835, a capital se mudou de vez. Rebaixada, a antiga sede passou a ser chamada apenas de "cidade de Mato Grosso", como se tivesse perdido o direito ao próprio nome. Foi preciso quase um século e meio para recuperá-lo: a Lei Estadual nº 4.014, de 29 de novembro de 1978, restabeleceu a denominação de Vila Bela da Santíssima Trindade, segundo o registro histórico da Câmara Municipal. Curiosamente, foi da mata fechada e escura daquele vale — o "mato grosso" que impressionou os irmãos Paes de Barros — que saiu o nome do estado inteiro.