História
Igarapé-Miri nasceu da madeira e da fé. Ainda no fim do século XVII, os portugueses instalaram nas terras ribeirinhas da região uma Fábrica Nacional de extração e aparelhamento de madeiras — a mais produtiva das fábricas da Província do Grão-Pará, segundo o registro histórico guardado pelo próprio município —, e foi em torno dela que colonos começaram a se fixar. Em 1710 o governador Cristóvão da Costa Freire concedeu a João Mello Gusmão uma sesmaria de duas léguas na área, confirmada por D. João V em 1714, o que gerou revolta entre posseiros e agricultores já estabelecidos e obrigou o sesmeiro a vender a maior parte das terras. Uma delas foi comprada por Jorge Valério Monteiro, que ergueu ali a capela de Nossa Senhora Sant'Ana; a devoção cresceu, e a pastoral de 29 de dezembro de 1752, do bispo D. Frei Miguel de Bulhões, transformou a capela em paróquia colada. A Lei Provincial nº 113, de 16 de outubro de 1843, elevou a freguesia a vila e criou o município, desmembrado de Belém, instalado em 26 de julho de 1845 como Vila Sant'Ana de Igarapé-Miri. A lei estadual nº 438, de 23 de maio de 1896, fez dela cidade e encurtou o nome — é dessa data que a cidade conta a idade, tendo completado 130 anos em 2026. O município ainda seria extinto pelo decreto estadual nº 6, de 4 de novembro de 1930, e recriado pelo decreto estadual nº 78, de 27 de dezembro do mesmo ano, com Moju como distrito até ser desmembrado na década seguinte. Sobre a extinção de 1930 há divergência entre as fontes oficiais: o registro histórico do município diz que o território foi anexado a Abaetetuba, enquanto a Formação Administrativa do IBGE aponta Belém. A divisão territorial de 1937-38 desenhou os quatro distritos que até hoje organizam a vida local: a sede, Anapu, Maiauatá e Meruú.