História
Canguaretama nasceu duas vezes. A primeira, como povoação de Uruá, núcleo colonizador erguido junto ao engenho de Cunhaú, no vale fértil que fez do açúcar a primeira riqueza da capitania. Foi ali, em 1645, durante o domínio holandês, que se deu o episódio que marcaria para sempre o lugar: o massacre dos fiéis reunidos na capela do engenho — o padre André de Soveral e seus companheiros, mortos durante a missa, entraram para a história como os Mártires de Cunhaú e, com os de Uruaçu, foram beatificados em 2000 e canonizados pelo Papa Francisco em 2017, tornando-se protagonistas de um dos primeiros capítulos do martirológio brasileiro. A segunda fundação foi administrativa: o verbete do IBGE registra que a povoação de Uruá passou a chamar-se Vila de Canguaretama em virtude da transferência da sede da antiga Vila Flor, em 1885 — inversão curiosa, em que a filha herdou o posto da matriarca, e Vila Flor, hoje termo da comarca, tornou-se satélite da cidade que ajudou a criar. A freguesia recebeu do capuchinho Frei Serafim de Catânia o nome de Penha, padroeira que permanece.