História
Extremoz é o ponto de partida da história municipal do Rio Grande do Norte. Antes da vila havia a aldeia de São Miguel do Guajiru, povoação indígena dirigida por padres jesuítas às margens da lagoa que os nativos chamavam Tijuru — comunidade que, segundo o registro do acervo do IBGE baseado em Câmara Cascudo, chegou a reunir 1.429 almas, "a mais linda igreja da Capitania e fartura de víveres e gados". Sobre essa base, em 1758, Bernardo Coelho Gama Casco fundou a Vila Nova de Extremoz, a primeira vila do então Rio Grande, executando os alvarás pombalinos de 1755 e 1758 que transformaram as aldeias missionárias em vilas civis com nomes portugueses — o desta herdou o de Estremoz, no Alentejo. A região já era frequentada havia mais de um século: os holandeses, no período do Brasil neerlandês, chegaram a projetar a divisão da lagoa em um reservatório de água doce e outro salgado, ligado ao mar pelo rio da Redinha, que então dava passagem a embarcações de fundo chato. A vila setecentista, porém, não virou município contínuo: o Extremoz moderno só ganhou autonomia pela Lei estadual nº 2.876, de 4 de abril de 1963, desmembrado de Ceará-Mirim, com instalação em 2 de fevereiro de 1964 — um município sexagenário sentado sobre a povoação mais antiga do interior potiguar.