História
O povoamento de Morro do Chapéu nasceu entre os séculos XVIII e XIX no caminho do gado que ligava o sertão do São Francisco ao Recôncavo, à sombra da elevação rochosa que, com o perfil de copa e aba, deu nome ao lugar. A freguesia de Nossa Senhora da Graça do Morro do Chapéu foi criada pela Lei provincial nº 67, de 1º de junho de 1838, ainda como distrito de Jacobina; a autonomia política veio com a Lei provincial nº 933, de 7 de maio de 1864, que elevou o povoado à condição de vila desmembrada de Jacobina, com instalação do Conselho Municipal no ano seguinte, e a sede foi elevada à categoria de cidade em 1909. A grande riqueza do século XIX, contudo, foi mineral. A partir de meados do oitocentos, a descoberta do carbonato — o diamante industrial, de baixa qualidade gemológica, usado como ponta de broca na perfuração de rochas — atraiu levas de garimpeiros, muitos vindos de Lençóis, e arraiais como a Vila do Ventura se tornaram praças garimpeiras de peso. A decadência veio em cadeia: o recrutamento de homens para a Guerra do Paraguai, a queda do preço do carbonato no mercado internacional e as secas severas — a de 1932 é lembrada como divisor — provocaram grande êxodo, e a Vila do Ventura, outrora pujante, hoje sobrevive com um punhado de moradores. Foi desse ciclo que emergiu Francisco Dias Coelho: filho de escravizados, nascido em 1864 na Fazenda Gurgalha, órfão de mãe aos doze anos, começou carregando água e lenha, tornou-se tabelião e negociante de carbonato e chegou a um dos maiores patrimônios da Bahia, sendo lembrado como o primeiro coronel negro do estado num tempo dominado por teorias racistas — a rua onde fica a prefeitura leva o seu nome.