Cidade de MT

Colniza

Colniza tem cerca de 25,7 mil habitantes no extremo noroeste de Mato Grosso, na Amazônia Legal, com quase 28 mil km² e menos de um habitante por km². É sede de comarca do TJMT, criada em 2004 por desmembramento de Aripuanã, com Vara Única de competência plena — Júri e execução penal — e cadeia pública administrada pela Sesp-MT.

UF
MT
Porte
pequena
População
25.766 hab.

Para questões judiciais em Colniza (MT), o juízo competente é da Comarca de Colniza — é lá que correm os processos criminais e cíveis da cidade. Esta página reúne a comarca, os órgãos e contatos oficiais do município, os telefones de emergência e a custódia prisional da região. Advogado pode atuar em qualquer comarca do país (art. 7º, I, da Lei 8.906/94) — o atendimento do escritório é remoto e presencial.

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SMARGIASSI Advogado — OAB/MG 155.242 · Criminalista especializado em Tribunal do Júri e execução penal. Atuação em Direito Criminal (Tribunal do Júri), Família, Cível, Consumidor, Imobiliário e Empresarial, com escritório em Guaxupé/MG e atendimento nacional.

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Particularidades

História

Colniza é uma cidade que começou como negócio imobiliário no meio da floresta. Em meados dos anos 1980, dentro da política de ocupação da Amazônia por projetos de colonização particular, uma empresa abriu as primeiras estradas e as primeiras ruas em plena mata, na faixa mais remota do noroeste mato-grossense, e passou a vender glebas a famílias vindas sobretudo do Sul do país. A empresa se chamava Colniza Colonização Comércio e Indústria Ltda, e foi dela que a cidade tirou o nome — não de um rio, não de um padroeiro, mas do loteador. O núcleo que hoje os moradores chamam de "Colniza velha" nasceu dos barracões e das casas erguidas para os funcionários da colonizadora. O crescimento veio rápido e desordenado, à margem da estrutura estatal: por quase uma década o povoado foi apenas distrito de Aripuanã, criado por lei municipal em 1994. A emancipação exigiu insistência. Um primeiro plebiscito, em agosto de 1998, não alcançou o número de votos necessário; um segundo, ainda em 1998, aprovou a separação, e a Lei Estadual nº 7.064, de 26 de novembro de 1998, elevou Colniza à categoria de município, desmembrado de Aripuanã. A primeira legislatura da Câmara Municipal só se instalou em 1º de janeiro de 2001 — ou seja, a cidade já existia como aglomerado urbano havia quinze anos quando finalmente ganhou governo próprio, e havia mais de dezoito quando ganhou juiz.

Economia

A economia de Colniza foi construída sobre a madeira, e é dela que vêm tanto a riqueza quanto os processos. Serrarias e a extração de tora sustentaram as primeiras décadas do município e ainda organizam boa parte do emprego formal e informal na sede e nas comunidades do interior; a transição para a pecuária extensiva veio depois, ocupando as áreas abertas e transformando a paisagem em pasto. O município aparece de forma recorrente nas estatísticas federais e estaduais de supressão de vegetação: em 2024 ficou entre os dez municípios que mais desmataram no país, com 10.716,5 hectares derrubados, e registrou o maior número de focos de calor de Mato Grosso, 2.171 ocorrências. Some-se a isso a pressão do garimpo nos rios da região e o resultado é uma economia em que a fronteira entre o lícito e o ilícito é objeto de litígio permanente: auto de infração ambiental, apreensão de carga de madeira, embargo de área, ação civil pública, crime ambiental e crime de organização criminosa aparecem no mesmo território e, muitas vezes, envolvendo os mesmos atores. O distrito de Guariba e as comunidades ribeirinhas vivem de extrativismo, pequena agricultura e do que a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, entre Colniza e Aripuanã, permite. Para quem advoga, a consequência prática é direta: em Colniza, direito ambiental e direito penal raramente andam separados, e a maior parte das provas está a centenas de quilômetros da sede.

Panorama jurídico

Colniza é sede de comarca do TJMT desde a Lei Complementar Estadual nº 166, de 13 de abril de 2004, que a desmembrou da Comarca de Aripuanã e lhe deu jurisdição apenas sobre o município sede — o que, aqui, significa quase 28 mil km² de área. A comarca funciona em Vara Única de competência plena: o mesmo juízo instrui o processo criminal, preside o plenário do Tribunal do Júri, conduz a execução penal e ainda responde por cível, família, infância e juizado especial. Desde a implantação do Núcleo 4.0 do Juízo das Garantias do TJMT, a fase pré-processual — controle da legalidade da investigação, da comunicação da prisão ao oferecimento da denúncia — é atribuída ao Regional 6 (Juína) do Núcleo, e não ao juiz que julgará o caso; para a defesa, isso muda o endereço de habeas corpus, relaxamento e pedidos de liberdade na fase de inquérito. A classificação vigente é a de entrância única, por força da Lei Complementar Estadual nº 774, de 19 de setembro de 2023, que unificou as entrâncias criadas anteriormente. Dois fatos concretos descrevem melhor a comarca do que qualquer adjetivo. O primeiro: em outubro de 2025, uma sessão do Tribunal do Júri de Colniza julgou cinco réus por duplo homicídio qualificado, ocultação de cadáver e organização criminosa em dois dias de trabalho, com penas entre trinta e quarenta anos e uma absolvição — e a sessão precisou ser realizada no plenário da Câmara de Vereadores, com participação remota, porque a estrutura do fórum não comporta júri desse porte. O segundo: em janeiro de 2026 a Diretoria do Foro publicou o Edital nº 01/2026 abrindo cadastro de advogados dativos em cinco áreas — cível, criminal, audiências de custódia, homicídio e Júri, e execução penal —, registrando que a Defensoria Pública local operava com um único defensor. Quem responde a processo em Colniza, portanto, encontra um juízo que faz tudo, um Júri que se muda de prédio para caber e uma assistência jurídica gratuita estruturalmente sobrecarregada. A custódia se dá na Cadeia Pública de Colniza, administrada pela Sesp-MT, na Rua do Contorno — o que, ao menos, mantém o preso perto da família e do juízo, em vez de deslocá-lo para uma penitenciária a mil quilômetros dali.

Patrimônio

O patrimônio de Colniza não está em casario nem em igreja tombada: está no que restou de floresta e nos rios que cortam o território. O município fica na bacia do Aripuanã e do Roosevelt, na faixa de transição entre o cerrado mato-grossense e a floresta amazônica densa, e abriga trechos de áreas protegidas de peso — entre elas a Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, compartilhada com Aripuanã, e a Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, um dos raros territórios do Brasil habitados por indígenas em isolamento voluntário, cuja demarcação física se arrasta há mais de duas décadas sob pressão de madeireiros, garimpeiros e grileiros. O distrito de Guariba, com 4.405 habitantes no Censo 2022, é a segunda concentração populacional do município e fica a cerca de 150 a 200 quilômetros da sede, do outro lado do rio Aripuanã, acessível por estrada de terra e com sinal precário de telefonia e internet: na prática, uma cidade dentro da cidade, separada por um dia de viagem. É essa geografia — e não o número de habitantes — que define o município. O que Colniza tem de mais valioso, do ponto de vista patrimonial, é exatamente aquilo que está sob disputa judicial constante, e essa coincidência entre patrimônio natural e objeto de litígio é a marca do lugar.

Curiosidades

Poucos municípios brasileiros carregam o nome de uma empresa, e Colniza é um deles: o topônimo vem da colonizadora que abriu as ruas e vendeu as glebas nos anos 1980, e sobreviveu à própria companhia. Outra singularidade é de escala: com 27.960 km², Colniza tem território maior que o de vários Estados brasileiros e uma densidade de 0,92 habitante por quilômetro quadrado — dá mais de um quilômetro quadrado por morador. Do ponto de vista forense, a curiosidade mais eloquente é recente: a sessão do Tribunal do Júri de outubro de 2025 foi realizada no plenário da Câmara Municipal, com réus e participantes acompanhando por videoconferência, porque o fórum não tinha espaço para o julgamento de cinco acusados. Há ainda a marca institucional deixada por um caso de 2017, quando nove trabalhadores rurais foram mortos na localidade de Taquaruçu do Norte, zona rural do município — processo que atravessou anos de instrução, decisões de pronúncia e despronúncia no TJMT e julgamento em plenário, e que tornou o nome da comarca conhecido fora de Mato Grosso. Colniza também é uma das poucas comarcas do Estado cujo calendário forense reserva o aniversário da cidade, 26 de novembro, como data de suspensão de expediente.

Educação e cidadania

Em Colniza, acesso à Justiça é, antes de tudo, uma questão de quilômetro. A sede fica a cerca de 1.039 quilômetros de Cuiabá, e o distrito de Guariba fica a mais de 150 quilômetros da própria sede, por estrada de terra e travessia de rio — de modo que um morador de Guariba percorre para chegar ao fórum de sua comarca uma distância maior do que a que separa muitas capitais de suas cidades vizinhas. É por isso que o TRE-MT organiza mutirões itinerantes de atendimento eleitoral na zona rural e no distrito, e chegou a levar o serviço para dentro da cadeia pública, alcançando presos provisórios que continuam titulares de direitos políticos. A Defensoria Pública estadual mantém atendimento no município, mas com um único defensor, segundo o edital de 2026 da Diretoria do Foro; onde ela não alcança, o juízo nomeia defensor dativo, advogado pago por arbitramento judicial para atuar por quem não pode contratar — mecanismo previsto no art. 263 do Código de Processo Penal e ali organizado por lista com rodízio. A Vara Única também destina recursos de prestações pecuniárias e de acordos de não persecução penal a projetos locais: em janeiro de 2025 foram R$ 52.584,14 para climatização e ventilação da própria cadeia pública e R$ 27.500,00 para uma casa de apoio instalar energia solar. Para serviços que a comarca não oferece — Justiça Federal, Justiça do Trabalho, subseção da OAB —, o caminho passa por Juína, polo regional a que Colniza está vinculada em praticamente todas as estruturas de Estado.

Dados do município

Mesorregião
Norte Mato-grossense
Microrregião
Aripuanã
Área (km²)
27960.237
População (Censo 2022)
25.766
Densidade demográfica (hab/km²)
0.92

Fonte: IBGE (Cidades e Estados).

Órgãos e instituições — Colniza/MT

Justiça Estadual — Comarca

Nome
Comarca de Colniza — TJMT
Tribunal
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT)
Sede
Colniza
Criacao
Lei Complementar Estadual nº 166, de 13/04/2004, que criou dezoito comarcas em Mato Grosso e desmembrou Colniza da Comarca de Aripuanã, com jurisdição apenas sobre o município sede.
Abrangencia
Somente o município de Colniza. A comarca não agrega municípios vizinhos — mas o território de um único município já tem quase 28 mil km².
Entrancia
Entrância única, por força da Lei Complementar Estadual nº 774, de 19/09/2023, que unificou as entrâncias das comarcas de Mato Grosso. A LC 166/2004 havia criado Colniza como comarca de primeira entrância, e comunicações anteriores a 2023 ainda a descrevem assim.
Estrutura
Vara Única, com competência plena: criminal, Tribunal do Júri, execução penal, cível, família, infância e juizado especial correm no mesmo juízo.
Juizo Das Garantias
Com o Núcleo 4.0 do Juízo das Garantias do TJMT, a fase pré-processual dos casos de Colniza cabe ao Regional 6 (Juína) do Núcleo, e não ao juiz da Vara Única — que segue com instrução, plenário do Júri e execução penal.
Distancia Cuiaba
Cerca de 1.039 km de Cuiabá, segundo o TJMT
Canais de atendimento
canaispermanentesdeacesso.tjmt.jus.br
Pagina Comarca
corregedoria.tjmt.jus.br/pagina/197
Telefone Geral Forum
Esta ficha não publica número de fórum sem fonte oficial vigente. Telefone, e-mail e endereço atualizados estão no portal Canais Permanentes de Acesso.
Acervo Ambiental Referencia
A comarca integra o Projada — Programa de Acompanhamento Judicial do Desmatamento na Amazônia — desde junho de 2024. Entre junho de 2024 e agosto de 2025 foram julgadas 208 ações ambientais, 113,48% da Meta 6 do CNJ, com 192 demandas ambientais ainda em acompanhamento (TJMT, agosto/2025).
Diretoria Do Foro Referencia
Nome
Juiz Guilherme Leite Roriz
Cargo
Juiz substituto e diretor do foro (referência de 2025)

OAB — Subseção

Nome
Subseção de Juína — OAB/MT
Endereço
Avenida Jaime Proni, 295-N, Centro, Juína - MT
Estrutura
Colniza integra a área da Subseção de Juína, que abrange ainda Aripuanã, Castanheira, Cotriguaçu, Juruena e Rondolândia. A OAB/MT mantém sala de apoio ao advogado em Colniza, na Rua da Amapola, s/nº, Centro.

Estabelecimentos penais

Nome
Cadeia Pública de Colniza
Tipo
Cadeia pública municipal
Administracao
Sesp-MT — Secretaria de Estado de Segurança Pública
Endereço
Setor Administrativo, Rua do Contorno, s/nº, Colniza - MT, CEP 78335-000
Telefone
E-mail
Capacidade
60 vagas

Ministério Público Estadual

Estadual
A Promotoria de Justiça de Colniza (MPMT) atua na comarca com atribuição cível e criminal, incluindo matéria ambiental — frente pesada num município que lidera estatísticas de desmatamento — e a acusação perante o Júri.

Defensoria Pública Estadual

Atendimento
Há atendimento da Defensoria Pública estadual em Colniza, com estrutura reduzida: o Edital nº 01/2026 da Diretoria do Foro registra um único defensor público na unidade, razão do cadastro de advogados dativos.
Defensor Dativo
O Edital nº 01/2026 (DJe de 19/01/2026) abriu inscrição em cinco áreas: cível, criminal, audiências de custódia, homicídio e Tribunal do Júri, e execução penal. A nomeação segue lista alfabética com rodízio, com prioridade para advogados que militam na comarca.

Justiça Federal

Subsecao
Subseção Judiciária de Juína (TRF1 / SJMT). Colniza não tem unidade federal própria: crimes federais, ações previdenciárias e Juizado Especial Federal tramitam em Juína.
Jurisdição
A Subseção de Juína abrange Juína, Aripuanã, Brasnorte, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juruena, Novo Horizonte do Norte, Porto dos Gaúchos, Rondolândia e Tabaporã.

Justiça do Trabalho

Vara
Vara do Trabalho de Juína (TRT da 23ª Região)
Endereço
Avenida Jaime Proni, 335-N, Módulo 03, Juína - MT
Jurisdição
Chegou a existir Vara do Trabalho instalada em Colniza; com a reorganização do TRT23 a unidade foi transferida, e Colniza, Aripuanã, Cotriguaçu e Rondolândia passaram à jurisdição de Juína.

Justiça Eleitoral

Atendimento
Colniza é atendida pelo cartório da 11ª Zona Eleitoral do TRE-MT, que responde também por Aripuanã. Pela distância e pelo baixo índice de biometria, o TRE-MT realiza mutirões na sede, na zona rural, no distrito de Guariba e dentro da cadeia pública.

Segurança Pública

Panorama
O município tem delegacia da Polícia Judiciária Civil e cadeia pública próprias — o que, numa comarca a mais de mil quilômetros da capital, evita que toda prisão em flagrante vire transferência para fora da região.

Polícia Civil

Organizacao Regional
Colniza integra a RISP 8 — Regional de Juína da PJC-MT, que reúne ainda Juína, Aripuanã, Castanheira, Cotriguaçu, Juara, Juruena, Porto dos Gaúchos e Tabaporã. A Delegacia de Polícia de Colniza fica na Rua Abelha Rainha, s/nº, bairro Aprocol.

Prefeitura Municipal

Endereço
Avenida dos Pinhais, 119, Centro, Colniza - MT, CEP 78335-000
Site
www.colniza.mt.gov.br
E-mail
Horario
Segunda a sexta, das 7h às 11h e das 13h às 17h

Câmara Municipal

Endereço
Avenida Contorno, 153, Centro, Colniza - MT, CEP 78335-000
Site
www.colniza.mt.leg.br

Emergências

Pm
190
Samu
192
Bombeiros
193
Policia Civil
197
Defesa Civil
199
Central Mulher
180
Cvv
188
Direitos Humanos
100
Disque Denuncia
181
Ouvidoria M P
127

Violência contra a mulher — Ligue 180

180

Denúncia e orientação para mulheres em situação de violência. Atendimento 24h, sigiloso.

Apoio emocional — CVV

188

Ligação gratuita, sigilosa, 24h. Você não precisa estar em crise para ligar.

Emergências e apoio

Telefones gratuitos válidos em todo o Brasil. Discagem direta — não precisa de prefixo.

Utilidade pública

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