História
São Borja começou como reduto jesuítico e nunca deixou de ser lugar de fronteira. Em 1682, o padre Francisco Garcia de Prada atravessou o rio Uruguai e fundou a redução de São Francisco de Borja, abrindo a segunda fase da experiência missioneira depois que as reduções da margem ocidental foram destruídas pelas bandeiras paulistas — foi o primeiro dos Sete Povos das Missões. Em 1801 o povoado passou do domínio espanhol ao português, sob o capitão de dragões Francisco Barreto Pereira Pinto, e a vida civil brasileira se organizou a partir de 1834, com a instalação da Câmara Municipal; a elevação a cidade veio em 1887. A condição de porta de entrada cobrou preço: em 1865, no início da Guerra do Paraguai, a população resistiu a um exército muito maior, episódio que o município guarda como marco fundador do seu orgulho cívico. Três anos antes da Proclamação, em 1888, a autoridade local Apparício Mariense da Silva subscreveu moção plebiscitária propondo que o Brasil adotasse o regime republicano. Meia dúzia de décadas depois, a mesma cidade daria ao país Getúlio Vargas, nascido em 19 de abril de 1882, e João Goulart — razão de o município se apresentar até hoje como "Terra dos Presidentes".