História
A cidade começou num brejo e mudou de nome duas vezes em vinte e um anos. Os irmãos Casemiro e Domingos Lana foram os primeiros posseiros das terras entre os rios Matipó e Santana; venderam a terceiros, e as herdeiras de Francisco Alves de Vale doaram parte das terras ao patrimônio de uma igreja prometida a São Sebastião, numa região que o verbete do IBGE descreve como "extremamente palustre, cheia de charcos", castigada por epidemias. A povoação de São Sebastião de Entre Rios virou distrito pela Lei municipal de Ponte Nova nº 146, de 3 de fevereiro de 1902, e em 1911 pertencia a Rio Casca. O salto veio com a Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, a grande lei de divisão administrativa de Minas: o artigo 2º, XXIV, criou um município chamado Matipoó, formado pelo distrito de São Sebastião de Entre Rios — desmembrado de Rio Casca e rebatizado — mais os distritos de Vermelho Velho e Vermelho Novo, desmembrados de Caratinga, com sede em categoria de vila. Quem assinou a lei, no Palácio da Presidência do Estado, foi Raul Soares de Moura. No ano seguinte, a Lei estadual nº 862, de 19 de setembro de 1924, trocou o topônimo Matipoó pelo nome do próprio signatário. A comarca só veio doze anos depois, instalada em 12 de abril de 1936. E a última mudança foi de subtração: a Lei estadual nº 12.030, de 1995, emancipou Vermelho Novo — item XCVI, "Novo Município e Distrito-Sede: Vermelho Novo; Município Remanescente: Raul Soares; Comarca: Raul Soares" —, de modo que o novo município saiu da prefeitura e continuou no fórum.