História
A cidade começou por um parto no meio do caminho. O verbete do IBGE conta que os primeiros moradores foram garimpeiros que subiam o vale do rio Abaeté à procura de diamante e tiveram de acampar antes do destino porque nasceu o filho do chefe da expedição, José Mendes Rodrigues; o pouso ficou, ganhou o nome de Pouso Alegre e, em 1760, já reunia cerca de quinhentos adultos. A primeira missa quase virou briga: duas famílias, Rodrigues e Oliveira, disputavam a honra de recebê-la em casa, e o missionário franciscano José Pascualine resolveu rezar na divisa entre as duas terras — é nesse ponto de acordo que a cidade se ergueu. A capela do Rosário foi benzida em 1763 e o arraial passou a se chamar São Francisco das Chagas do Campo Grande. Freguesia pela Lei provincial nº 312, de 8 de abril de 1846, ratificada pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891. Depois vem a parte que quase nenhuma ficha de cidade tem: Rio Paranaíba perdeu o próprio município para um distrito seu. A Lei estadual nº 622, de 18 de setembro de 1914, transferiu a sede municipal para a povoação de São Gotardo, o município tomou esse nome e o distrito voltou a se chamar São Francisco das Chagas. Foram nove anos rebaixada, até que a Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, desmembrou o distrito de São Gotardo e recriou o município — agora com o nome de Rio Paranaíba, por sugestão do então Presidente do Estado, Olegário Maciel, em razão de o rio ter no território municipal as suas mais altas nascentes. A mesma lei criou o distrito de Arapuá. Na Justiça, o desenho antigo ainda se lê: até 1948 o município se jurisdicionava ao termo e à comarca de São Gotardo, e foi a Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, que o elevou a sede de comarca com jurisdição sobre o próprio território — o fórum só abriu em 1975.