História
Resplendor deve o nome a uma pedra e a um engenheiro de ferrovia. O desbravamento do vale só começou no fim do século XIX porque os botocudos do grupo aimoré resistiram longamente à ocupação; o francês Guido Thomaz Marlhiére, nascido em 1767 e nomeado por D. João VI inspetor das Divisões Militares do Rio Doce, é a figura que o próprio verbete do IBGE credita pela pacificação da região. Entre os primeiros a fixar fazenda esteve, por volta de 1880, o Coronel Manoel Gonçalves de Morais Carvalho, dono da sesmaria às margens do córrego Pião — o mesmo sobrenome que hoje batiza a rua do fórum, os dois ofícios de registro da sede e a sala da OAB. O impulso decisivo veio da Estrada de Ferro Vitória a Minas, cujos trilhos cortaram as terras locais e cuja estação, batizada Resplendor por causa da rocha que reluzia ao sol, virou o núcleo da cidade. A trajetória administrativa é uma escada de cinco degraus, e cada um tem documento: a Lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, criou o distrito, que nasceu no município de Caratinga e depois passou ao de Aimorés; o Decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, elevou Resplendor a município — com Ituêta como distrito e instalação em 1º de janeiro de 1939 — e desmembrou parte do território para criar aquele distrito; o Decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, deu a Resplendor a categoria de TERMO judiciário na comarca de Aimorés, para o período de 1944 a 1948; a comarca própria foi instalada em 15 de novembro de 1948, segundo o Guia Judiciário; e a Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, registra a comarca nº 219, Resplendor, com os municípios de Resplendor e Itueta. Depois disso o município só perdeu território: a Lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, emancipou Ituêta e criou o distrito de Calixto, e a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, emancipou Santa Rita do Itueto. Nenhum dos dois saiu da comarca — e é por isso que a jurisdição do fórum ainda cobre o desenho antigo, mais largo que o município. Uma última camada, esta recente: com a construção da Usina Hidrelétrica de Aimorés, entre 2001 e 2005, a cidade de Itueta, que estava na margem direita do rio Doce, foi inteiramente demolida e transferida para as margens da BR-259, em núcleo planejado e em local escolhido pela própria comunidade. É um município inteiro que mudou de lugar dentro desta comarca.