História
Antes de haver cidade, havia a função. Sobre a aldeia tupinambá de Uruitá, no furo que comunica as baías do Marajó e do Sol, o governo colonial montou um posto para vigiar as embarcações que entravam rumo a Belém e cobrar o que fosse devido — e a função batizou o povoado. A freguesia foi criada em 1693, sob a invocação de Nossa Senhora de Nazaré, e a vila veio logo depois, em 1698, o que faz de Vigia um dos primeiros núcleos municipais da Amazônia. Os jesuítas marcaram o lugar: a devoção nazarena que eles iniciaram ali em 1653 espalhou-se depois pelo Grão-Pará, e a Igreja Madre de Deus, cujas primeiras pedras o cronista Antônio Baena registra lançadas em 1702, ainda preside o centro histórico. A Cabanagem, entre 1833 e 1836, deixou depredações; a Lei Provincial nº 252, de 2 de outubro de 1854, elevou a vila a cidade. O território, imenso, foi se repartindo: Curuçá passou por Vigia como distrito em 1930, São Caetano de Odivelas também, e a Lei estadual nº 2.460, de 29 de dezembro de 1961, desmembrou de uma vez Colares e Santo Antônio do Tauá. Restaram a sede e o distrito de Porto Salvo — e uma relação com Colares que o mapa judiciário conserva até hoje, agora como termo da comarca.