História
Piranga é mais velha que quase tudo em volta. O povoado se formava no fim do século XVII, quando o bandeirante João de Siqueira Afonso fez base de operações às margens do rio Guarapiranga à procura de metal precioso, e em 1718 já era curato — o distrito vem da Provisão de 16 de fevereiro daquele ano. Município pela Lei provincial nº 202, de 1º de abril de 1841, instalado em junho do ano seguinte, foi suprimido pela Lei provincial nº 1.249, de 17 de novembro de 1865, restaurado e desmembrado de Mariana pela Lei provincial nº 1.537, de 20 de julho de 1868, e reinstalado em 14 de março de 1869. A categoria de cidade veio pela Lei provincial nº 1.729, de 5 de outubro de 1870 — data que o calendário de feriados municipais publicado pelo TJMG para a comarca ainda guarda. A comarca tem história paralela e igualmente interrompida: criada pela Lei provincial nº 3.702, de 27 de julho de 1889, batizada Piranga pela Lei estadual nº 11, de 13 de novembro de 1891, suprimida pela Lei estadual nº 375, de 19 de setembro de 1903, com efeito em 21 de novembro de 1904, e restaurada pela Lei estadual nº 663, de 18 de setembro de 1915 — cuja ementa, na Assembleia Legislativa, é justamente "altera a divisão judiciária do Estado" —, reinstalada em 1º de dezembro de 1917. O território encolheu por partes: em 1911 o município tinha nove distritos, e perdeu Conceição do Turvo em 1923, Brás Pires em 1938, Guaraciaba em 1948 e Porto Firme, Piraguara e Calambau em 1953, todos para formar municípios novos. Dois desses filhos voltaram pela porta da Justiça: Porto Firme e Presidente Bernardes respondem hoje à comarca da antiga cabeça de distrito.