História
A história de Pirapora se escreve contra a corrente. Antes de haver cidade havia a corredeira, e foi defronte dela que se fixaram os primeiros moradores — garimpeiros, pescadores e pequenos criadores em casas cobertas de palha de buriti, conta o verbete do IBGE. O arraial entra na história econômica do país quando o vapor chega: a navegação a vapor no São Francisco começou em 1871, mas foi a partir de 1902 que os vapores Saldanha Marinho e Mata Machado passaram a fazer tráfego regular até ali; em 1894, a Companhia Cedro e Cachoeira, de Curvelo, mandara levantar no distrito um grande depósito de algodão em rama. O mapa político acompanhou: distrito de Curvelo criado como São Gonçalo das Tabocas em 1891, vila em 1911 e instalada em 1º de junho de 1912, cidade em 1915 pela Lei estadual nº 663. Depois veio a partilha — a Lei estadual nº 843, de 1923, criou o distrito de Lassance e rebatizou São Francisco de Pirapora como Buritizeiro; a Lei nº 1.039, de 1953, levou Lassance, Várzea da Palma e Guaiçuí; a Lei estadual nº 2.764, de 1962, emancipou Buritizeiro. Vale reparar na inversão: em 1873 uma lei provincial anexou toda a região de Pirapora ao município de Jequitaí, e hoje é Jequitaí que pertence à comarca de Pirapora, com Buritizeiro, filho emancipado, de volta ao mapa judiciário da mãe.