História
A história de Santa Maria do Suaçuí é, do começo ao fim, uma história de Peçanha. O arraial começou por volta de 1865 com três casas de telha e seis de palha, num território que então pertencia ao município de Minas Novas, e o diário de um capitão local — a fonte que o IBGE reproduz — registra que os primeiros moradores eram gente de passagem, alguns foragidos, e que pouco abaixo do povoado havia um aldeamento de índios botocudos que subia ao arraial para vender milho e feijão. Por perto corriam duas lendas de tesouro: a Lagoa do Vapabussu, a 57 km, e a Serra Resplandescente, hoje Lavra do Cruzeiro. O distrito nasceu em 1870 com o nome de Santa Maria de São Félix. A emancipação veio pela Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923 — a mesma lei que rebatizou dezenas de topônimos mineiros —, cujo item XXXI criou o município de Santa Maria do Suaçuí com quatro distritos, o da sede, que "passa a ter aquela denominação", Cristais, Poaia e Morubáu, e com território desmembrado do município de Peçanha. O distrito de Morubáu tinha sede na povoação de Maranhão: é o embrião de São Sebastião do Maranhão, que hoje é município autônomo e volta ao fórum de Santa Maria do Suaçuí como termo da comarca. Vinte anos depois, o Decreto-Lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, refaz o quadro: o município aparece com os distritos de Santa Maria do Suaçuí, Folha Larga — transferido de Peçanha, conforme as notas 158 e 160 do próprio decreto —, Glucínio, Poáia e São Sebastião do Maranhão. A comarca só vem em 1951: o Guia Judiciário do TJMG dá a instalação em 13 de dezembro daquele ano, e nesse ponto a cidade já se chamava assim havia vinte e oito anos, de modo que não há aqui o descompasso entre nome do município e nome da comarca que confunde outras fichas mineiras. O território continuou a se desfazer depois: Folha Larga desapareceu do quadro de distritos e José Raydan é hoje município, sem que esta pesquisa tenha localizado o ato de sua criação. Sobraram os quatro distritos atuais — a sede, Brejo de Minas, Glucínio e Poaia — e uma comarca de três municípios que, na prática, reconstrói em jurisdição o desenho que a lei de 1923 desenhou em território.