História
O município que hoje tem 235 quilômetros quadrados já foi um território gigantesco, e entender isso é entender Santa Luzia. Tudo começou em 1692, no ciclo do ouro, quando uma expedição de remanescentes da bandeira de Borba Gato implantou o primeiro núcleo do povoado às margens do Rio das Velhas, num garimpo de ouro de aluvião. A enchente do rio empurrou o vilarejo para o alto da colina, e foi lá que o povoado se firmou, em 1697, no sítio que hoje é o Centro Histórico. O distrito nasceu oficialmente pelo Alvará de 16 de fevereiro de 1724, com o nome de Santa Luzia do Rio das Velhas, confirmado pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891. Daí em diante a história é de expansão e depois de subtração, e o verbete do IBGE registra cada ato. Vila pela Lei Provincial nº 317, de 18 de março de 1847, instalada em 1º de agosto do mesmo ano com CINCO distritos — Santa Luzia do Rio das Velhas, Lagoa Santa, Matozinhos, Sete Lagoas e Santa Quitéria. Extinta pela Lei Provincial nº 472, de 31 de maio de 1850, com o território anexado a Sabará ou Conceição. Recriada como município pela Lei nº 755, de 30 de abril de 1850, desmembrada de Conceição ou Sabará. Elevada a cidade pela Lei Provincial nº 860, de 14 de maio de 1858. E depois crescendo: Jaboticatubas anexada em 1858, Riacho Fundo em 1866, Pau Grosso em 1873, Capim Branco em 1890, Lapinha em 1892, Pedro Leopoldo em 1901, Vespasiano em 1915. Na divisão administrativa de 1911, Santa Luzia do Rio das Velhas tinha NOVE distritos. A subtração vem depois, e é brutal. Pela Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, Pedro Leopoldo, Capim Branco, Matozinhos e Lapinha saem para formar o município de Pedro Leopoldo. Pela Lei estadual nº 860, de 9 de setembro de 1924, o município perde o sobrenome e passa a chamar-se simplesmente Santa Luzia. Pelo Decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, saem Jaboticatubas, Baldim e Riacho Fundo para formar Jaboticatubas, e sai Lagoa Santa, elevada a município — e, no mesmo ato, Santa Luzia adquire de Sabará o distrito de Lapa e de Belo Horizonte o distrito de VENDA NOVA. Pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, Vespasiano sai e é elevada a município, e Venda Nova volta para Belo Horizonte, onde é bairro até hoje. Pela Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, Ravena, antiga Lapa, passa para Sabará. Em 1º de julho de 1955 o município estava reduzido ao distrito sede. Em 1962, a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro, cria o distrito de São Benedito — e é essa a configuração atual, dois distritos, mantida em todas as divisões territoriais desde 1963. No meio dessa trajetória cabe o episódio pelo qual o Brasil inteiro conhece a cidade. Em agosto de 1842, no desfecho da Revolução Liberal mineira, as tropas liberais de Teófilo Otoni foram derrotadas em Santa Luzia pelas forças legalistas comandadas pelo então Barão de Caxias. O quartel-general dos revoltosos era o Solar Teixeira da Costa, hoje Casa da Cultura, e as janelas do prédio ainda guardam marcas de bala. Da derrota saiu uma palavra: dali em diante, os liberais passaram a ser chamados de "luzias" em todo o Império, em oposição aos "saquaremas" conservadores. E, quatro décadas depois, a cidade recebeu a visita que lhe daria outro título: em 1881 D. Pedro II hospedou-se no Solar da Baronesa, na Rua Direita, e registrou a passagem no seu diário de viagem, publicado no Anuário do Museu Imperial — registro a que o município atribui o título de cidade imperial. A comarca foi instalada onze anos depois, em 7 de março de 1892, sobre um território que ainda continha meia dúzia dos municípios que hoje são seus vizinhos.