História
Nova Odessa nasceu de um decreto e de uma crise do outro lado do mundo. Em 1905, enquanto a Rússia mergulhava na convulsão que se seguiu ao "domingo vermelho", o Secretário da Agricultura de São Paulo, Carlos José de Arruda Botelho, comprava a Fazenda Pombal, à beira dos trilhos da Companhia Paulista, e criava ali, pelo Decreto nº 1.286, de 24 de maio de 1905, um núcleo colonial batizado em referência ao porto de Odessa, destinado a receber famílias que fugiam do império dos czares. Os primeiros colonos, judeus russos recrutados às pressas na Europa — sapateiros, alfaiates, funileiros, até um prestidigitador, quase nenhum agricultor —, não se adaptaram à enxada e abandonaram os lotes. A solução veio em 24 de junho de 1906, por dois caminhos simultâneos: o batista Júlio Malves trouxe famílias letas da colônia de Jacu-Açu, em Santa Catarina, e o luterano Janis Gutmann enviou da Europa cerca de quarenta famílias da Letônia, então província russa. Foram os letos que consolidaram a colônia, plantando algodão e a melancia que deu fama à estação ferroviária inaugurada em 1907. Elevada a Distrito de Paz de Americana em 1º de janeiro de 1939, Nova Odessa emancipou-se pela Lei estadual nº 5.121, de 31 de dezembro de 1958 — obtida com uma certidão populacional generosamente arredondada —, elegeu Alexandre Bassora seu primeiro prefeito em 1959 e instalou o governo próprio em 1º de janeiro de 1960.