História
Antes do petróleo havia o rio, a barra e a pesca. A terra que hoje é Macaé foi território dos Goitacá e dos Sapê, e a ocupação portuguesa avançou por sesmarias de cana e por missões, com o povoado adensando-se em torno do porto de Imbetiba, por onde escoavam açúcar, café da serra e produtos do sertão fluminense. A vila recebeu foros de cidade em 1846 e passou mais de um século como praça litorânea de vocação pesqueira e agrícola, com veraneio e casario de porto, a Princesa do Atlântico dos guias antigos. A memória dessa fase ainda tem endereço: o Centro, a Praça Washington Luiz, a Igreja de Sant'Anna com sua lenda, e a história de Motta Coqueiro, que a própria prefeitura registra em sua página de literatura e que ficou conhecida nacionalmente como um dos casos judiciais mais discutidos do Império. O ponto de inflexão tem data e nome. Em 1974, a Petrobras descobriu o campo de Garoupa, na Bacia de Campos, e escolheu Macaé para instalar sua base de operações, helicópteros, embarcações de apoio, oficinas e escritórios. Da descoberta em diante, a cidade deixou de crescer no ritmo do interior e passou a crescer no ritmo do óleo. O aparelho de Estado veio atrás, e a cronologia judiciária registra a corrida: a 1ª Vara do Trabalho nasceu em 1986, pela Lei nº 7.471; a 2ª, em 2003, pela Lei nº 10.770, no ciclo da terceirização offshore; a 3ª, em 2012, pela Lei nº 12.656, no auge do pré-sal. A comarca chegou a ser elevada a Entrância Especial em janeiro de 2020, pela Lei estadual nº 8.710, junto com Itaboraí e Maricá. A história institucional recente tem um desfecho curioso, e é ele que explica por que esta página não atribui entrância a Macaé: dois anos e sete meses depois da promoção, a Lei estadual nº 9.842/2022 unificou todas as comarcas fluminenses numa faixa só, e a Lei estadual nº 10.633/2024 revogou o Código antigo sem recriar escala alguma. A cidade subiu ao andar mais alto de uma escada que foi demolida logo depois. O que restou não foi o título, foi a estrutura: nove órgãos jurisdicionais, três varas do trabalho, subseção federal, doze promotorias e uma Defensoria de onze órgãos.