História
Matias Barbosa nasceu de uma guarita fiscal. O Caminho Novo, aberto no começo do século XVIII para encurtar a viagem entre o porto do Rio de Janeiro e as lavras das Minas, tinha de atravessar o rio Paraibuna — e foi ali, na travessia, que a Coroa instalou o "Registro" onde se cobrava o quinto do ouro e dos diamantes que desciam. Em 1700 o português Matias Barbosa recebeu, às margens desse mesmo rio, uma sesmaria de uma légua de testada por três de sertão, entre as roças de Simão Pereira e de Antônio de Araújo. O povoado se formou em torno do posto de arrecadação e do nome do sesmeiro, com a invocação de Nossa Senhora da Conceição, e cresceu como parada de tropa numa estrada que nunca deixou de ser a razão de ser do lugar: onde havia Registro, hoje há praça de pedágio, e o traçado da BR-040 repete, em asfalto, a função do caminho colonial. A hierarquia administrativa veio depois e veio de cima: o distrito, na década de 1880; o município, pela Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923 — a grande reforma toponímica e territorial mineira —, que elevou a sede à vila e lhe anexou dois distritos desmembrados de Juiz de Fora, Santana do Deserto e São Pedro de Alcântara. O Decreto-lei estadual nº 148/1938 descreve o território resultante com precisão de topógrafo, incluindo o limite com o Estado do Rio de Janeiro pelo acordo de setembro de 1938 e um "córrego da Sesmaria" que carrega, no nome, a origem de tudo. Em 1943, o Decreto-lei estadual nº 1.058 registra o município nº 137 com três distritos: Matias Barbosa, já cidade; Santana do Deserto, vila; e Simão Pereira, vila, com a nota "ex-São Pedro de Alcântara" — a mesma reforma que trocou dezenas de topônimos mineiros de uma só vez. Os dois distritos se emanciparam e, quase um século depois, continuam respondendo ao mesmo fórum: a comarca de hoje é, quase exatamente, o município de 1923 mais Belmiro Braga.