História
A história institucional de Tombos é a de uma cidade que mudou de dono quatro vezes antes de ser dona de si. Ela nasceu de uma doação de terras a santo: a escritura do Patrimônio de Nossa Senhora da Conceição foi feita em 1849 e passada em 1855, e é dela que saem os primeiros nomes de moradores do lugar — os doadores Maximiano José Pereira de Souza e Maria Cândida de Jesus e os confrontantes que a escritura lista. A agricultura ocupou o território na década de 1840 e em 1849 já havia povoado. Em 1856 a Matriz recebeu a primeira eleição para Eleitores Especiais da região, e em 1864 um almanaque provincial descreve cinquenta domicílios, duas ruas, duas praças e cerca de três mil habitantes, entre livres e escravizados. A partir daí a linha do tempo é uma sucessão de vínculos administrativos que mudam sem que o povoado se mexa: pela Lei nº 471, de 1º de junho de 1850, o lugar pertencia à Paróquia de Nossa Senhora da Glória, no Município de Presídio, que hoje se chama Visconde do Rio Branco; pela Lei nº 605, de 21 de maio de 1852, foi ele mesmo elevado a paróquia, com o nome comprido de Nossa Senhora da Conceição dos Tombos do Carangola; pela Lei nº 731, de 16 de maio de 1855, passou à Freguesia de São Paulo do Muriaé; pela Lei nº 1.273, de 2 de janeiro de 1866, virou distrito, ainda sob São Paulo do Muriaé; e pela Lei nº 2.500, de 12 de novembro de 1878, foi incorporado ao recém-criado Município de Carangola, onde ficou por quarenta e cinco anos, confirmado pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891. O que o tirou de lá foi o trem e o café. Em 1º de janeiro de 1886 a Estrada de Ferro Alto Muriahé inaugurou a estação daqui, e com ela veio ligação direta com o Rio de Janeiro — que é o que transforma uma freguesia de roça em praça comercial. A Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, criou o município e encurtou o nome. A comarca vem depois, e devagar: a Lei estadual nº 879, de 24 de janeiro de 1925, apenas confirmou Tombos como parte da Comarca de Carangola; o Decreto estadual nº 155, de 29 de julho de 1935 — o mesmo que criou vinte comarcas mineiras de uma vez — deu a Tombos um termo, degrau intermediário que não é comarca, instalado em 17 de maio de 1936; e só em 15 de novembro de 1948 o termo foi elevado a comarca. Vinte e cinco anos de município antes de ter juiz próprio, e mais treze de termo antes disso. Na divisão seguinte, a da Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, a Comarca de Tombos aparece sob o número 260, entre 271, com um único município — porque Pedra Dourada e Catuné eram então distritos seus, um com categoria de vila e o outro de cidade. Foi a Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, que emancipou Pedra Dourada, na grande leva mineira de emancipações daquele ano, e ela saiu do município sem sair da comarca: continua aqui, a 23 km, sessenta e quatro anos depois. Catuné ficou distrito. Água Santa de Minas, o terceiro nome de hoje, não existia em 1962 — a Lei nº 2.764 lista o município de Tombos com apenas dois distritos, Tombos e Catuné — e o ato que a criou não foi localizado.