História
A cidade nasceu em volta de uma prisão, e o verbete oficial do IBGE diz isso com essas palavras. O ponto era de passagem: os bandeirantes alcançaram a região no século XVII em busca de ouro, o arraial do Ouvidor se formou por volta de 1780 na parte do território que a Coroa chamava de "áreas proibidas", e o lugar foi mudando de nome conforme mudava de função — Passagem do Rio Preto até 1800, Registro do Rio Preto depois. Em 1824 o nome era Presídio do Rio Preto, e o registro do IBGE explica: "face ao cárcere ali existente. O povoado se formou em volta deste presídio". Freguesia pelo decreto de 14 de julho de 1833, ratificado pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, a povoação foi elevada a vila pela Lei provincial nº 271, de 15 de abril de 1844, desmembrada de Barbacena, e o artigo 3º do mesmo diploma a vinculou à Comarca do Paraibuna — primeiro endereço judiciário de Rio Preto, num tempo em que o nome do juízo era o nome de um rio. O caminho até a autonomia foi acidentado: as Leis provinciais nº 285, de 1846, e nº 665, de 1854, extinguiram a vila; a Lei nº 1.191, de 1864, transferiu a sede para o município do Porto do Turvo; e foi a Lei nº 1.644, de 13 de setembro de 1870, que a firmou, com reinstalação em 22 de julho de 1871 e elevação a cidade pela Lei nº 1.781, de 21 de setembro daquele ano. A comarca própria veio vinte e um anos depois, em 21 de março de 1892. Daí em diante a história do município é uma história de subtração, e a da comarca é de conservação. O território chegou a ter sete distritos em 1911; Olaria saiu em 1923 para Lima Duarte pela Lei estadual nº 843; Tabuão saiu em 1938 para Bom Jardim pelo Decreto-lei nº 148; o Decreto-lei nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, desmembrou Santa Rita de Jacutinga levando Itaboca; e a Lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, desmembrou Santa Bárbara do Monte Verde levando São Sebastião do Barreado. Em 2003 o município estava reduzido ao distrito-sede. A comarca, no entanto, não perdeu nada: os dois municípios novos ficaram nela, e a Lei de 1995 escreveu isso em letra de forma numa coluna própria — "Comarca: Rio Preto". Quer dizer que o mapa judiciário de hoje é o mapa administrativo de 1911 menos os dois distritos que foram para fora.