História
A história de Carapicuíba começa muito antes da cidade: por volta de 1580 — a Prefeitura fixa a data oficial em 12 de outubro daquele ano — formou-se ali uma das doze aldeias de catequese que os jesuítas, sob a tradição do padre José de Anchieta, fundaram no planalto paulista, reunindo indígenas em torno de uma capela dedicada a São João Batista. Das doze, é a única que se conservou. A igreja que hoje se vê no centro do largo foi construída em 1736 e mantém o altar-mor único, o sacrário de madeira e os sinos no coro; o orago passou a Santa Catarina de Alexandria, e a cruz de tijolos diante da porta lembra a intenção missionária do lugar.
Por três séculos o território permaneceu rural e esparso. Pertenceu ao município de São Paulo até 1856, quando passou a Cotia — a capital reteve parte das terras, onde hoje está a Cohab —, e só ganhou impulso com os trilhos da velha Estrada de Ferro Sorocabana, cujo tronco inaugurado em 1875 é a atual Linha 8-Diamante. Em 1928 Carapicuíba já era distrito policial; na década de 1930 os pioneiros apostavam num povoado de clima excelente e terras boas para batata, cereais, legumes e hortaliças, castanheiro europeu e amoreira, com lavradores e imigrantes, entre eles italianos e japoneses.
A formação administrativa tem datas de lei. Pela Lei estadual nº 233, de 24 de dezembro de 1948, o povoado virou distrito — a Prefeitura o descreve como Distrito de Paz desanexado de Cotia — e em 1949 integrou-se ao recém-criado município de Barueri. A Lei estadual nº 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, criou o município de Carapicuíba, desmembrado de Barueri, e a instalação veio em 26 de março de 1965, data que a cidade celebra como emancipação depois do que a Prefeitura chama de "um período de batalha". A Lei estadual nº 4.954, de 27 de dezembro de 1985, criou os distritos de Aldeia de Carapicuíba e Vila Dirce.
O adensamento foi vertiginoso à medida que a metrópole transbordava para o oeste, e a Justiça chegou atrasada: Carapicuíba foi foro distrital da Comarca de Barueri até a Lei Complementar estadual nº 877, de 29 de agosto de 2000, elevá-la a comarca. Quando o Tribunal instalou a 4ª Vara Cível, em 2015, a juíza titular estimava mais de 300 mil eleitores e cerca de 500 mil habitantes — o Censo de 2022 contou 386.984, e o TRE-SP, em 2025, 300.943 eleitores. O trem, a aldeia e a lei são os três fios que explicam a cidade.