História
Itaquaquecetuba tem uma das origens mais antigas do planalto paulista, e o verbete do IBGE a conta a partir da geografia do Tietê: ao tempo da fundação de São Paulo, o setor norte era povoado por duas tribos tupis — os guarulhos, da família dos guaianases, na margem direita do rio, e os do Ururaí, na margem oposta, da Penha a São Miguel. Em 1560, "pela necessidade de defesa e para favorecer a catequese", os jesuítas concentraram as duas em aldeias, Conceição dos Guarulhos e São Miguel, uma em cada margem. Próximo a São Miguel, em reconhecimento pelo trabalho na formação da aldeia, o padre João Álvares recebeu uma sesmaria, onde levantou uma capela sob a invocação de Nossa Senhora d'Ajuda; a página de histórico da Câmara Municipal data o oratório de 1624 e a origem do povoado de 8 de setembro de 1560, com o nome de Vila Nossa Senhora d'Ajuda — a data que a cidade celebra como aniversário. Anos mais tarde, os desentendimentos entre jesuítas e donatários das terras vizinhas provocaram o abandono parcial de São Miguel, e missionários e indígenas se fixaram junto à capela. A igreja que hoje ocupa o alto da Praça Padre João Álvares, construída pelos jesuítas no século XVII "no ponto mais alto do Vale do Tietê", é o marco físico dessa origem, tombada pelo Condephaat em 2014. Apesar da colonização antiga, o núcleo urbano demorou. A freguesia de Itaquaquecetuba foi criada pela Lei Provincial nº 17, de 28 de fevereiro de 1838, subordinada a Mogi das Cruzes, e assim figurou nas divisões administrativas de 1911 e de 1950. O verbete do IBGE é preciso sobre o salto: "o núcleo urbano somente foi efetivado no início do século XX, quando os padres responsáveis pela administração dos bens da igreja venderam, em 1910, parte das terras" a seis compradores nomeados, que começaram pela agricultura de subsistência. O que mudou a escala foi a ferrovia: a Variante de Poá da Estrada de Ferro Central do Brasil, cuja construção começou em 1921 e cuja estação de Itaquaquecetuba o IBGE data de 1925 (a de Engenheiro Manoel Feio, de fevereiro de 1926), trouxe a exploração de madeira para carvão e, "devido à afluência de novos moradores", várias olarias — "de grande significado econômico para o município". Itaquaquecetuba foi elevada a município pela Lei estadual nº 2.456, de 30 de dezembro de 1953, desmembrada de Mogi das Cruzes, e instalada em 1º de janeiro de 1954, com o distrito-sede como único distrito, condição que mantém até hoje. O verbete do IBGE grafa a data da lei como "30-11-1953"; a página da Câmara e a lei do quadro territorial paulista dão 30 de dezembro, e a ficha segue estas. A segunda metade do século XX transformou o antigo arraial de olarias em cidade-dormitório e depois em cidade industrial. A conurbação com Guarulhos, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano e Arujá, a abertura da Rodovia Ayrton Senna e, mais tarde, do trecho leste do Rodoanel deram ao território, que o Trópico de Capricórnio atravessa, o desenho atual: mais de quatrocentos loteamentos e vilas, 44 bairros na contagem que a Prefeitura usa para obras de iluminação, e uma população que passou de 300 mil habitantes na virada do século — o número que o comandante do posto dos Bombeiros citava em 2005 — a 369 mil no Censo de 2022.