História
Bonfinópolis de Minas é um município cujo nome mudou três vezes e cuja jurisdição mudou junto, sempre. A história começa no sertão de Paracatu, no arraial de Lages, elevado a distrito em 6 de novembro de 1869 e reconfirmado pela lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, subordinado ao município e à comarca de Paracatu. O verbete do IBGE conta que a chegada dos primeiros moradores se deu depois do primeiro quarto do século XIX, atraídos por terra fértil e pastagem natural, e que em 1873 a povoação já tinha capela — que um padre transformou em sede provisória da paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Santa Fé de Minas.
A primeira virada é de 1923 e está escrita com precisão notável na lei. A Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, na seção de transferências de sede, determina, no item IV: "No município de PARACATU: do distrito de Lages para Bonfim, passando esta povoação a ter aquele nome". A sede do distrito saiu do arraial velho e foi para o povoado do Bonfim, e o quadro territorial do mesmo ato segue listando Paracatu com os distritos de Paracatu, Guarda-Mor, Unaí, Lages e Garapuava — ou seja, o distrito não trocou de nome, trocou de endereço. É um detalhe que a página de história da própria Prefeitura conta diferente, afirmando que a lei teria criado o "Distrito de Bonfim das Lages", expressão que não existe no texto do ato.
A segunda virada é de 1943 e é dupla. O Decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943 — o ato que rebatizou dezenas de topônimos mineiros de uma só vez —, mudou o nome do distrito de Lajes para Fróis e o desligou de Paracatu, anexando-o ao município recém-criado de Unaí. Na mesma lista de 1923, Unaí ainda era um distrito de Paracatu; vinte anos depois já era município e levou o vizinho consigo. Em 1º de julho de 1950 o distrito de Fróis figura no município de Unaí, e é dali que nasce a relação de dependência que só se romperia em 1962.
A terceira virada é a emancipação. A Lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, elevou Fróis à categoria de município com o nome de Bonfinópolis de Minas, desmembrado de Unaí, com sede no distrito de Bonfinópolis (ex-Fróis) e constituído apenas do distrito sede. A instalação foi em 1º de março de 1963 — data que sobrevive hoje como feriado municipal na lista que o Guia Judiciário publica para a comarca. O topônimo homenageia o padroeiro, o Senhor do Bonfim, cuja festa em 6 de agosto também é feriado forense aqui.
A história JUDICIÁRIA, porém, tem cronologia própria e chega muito depois. O município passou trinta e dois anos sem comarca, litigando fora. A comarca de Bonfinópolis de Minas aparece pela primeira vez na Lei Complementar estadual nº 38, de 13 de fevereiro de 1995, no rol da Entrância Inicial, sob o número 15, com um Juiz de Direito — e, no quadro de composição da mesma lei, item 37, com um único município: o próprio. A lei manda o Tribunal instalar as comarcas que cria "verificadas as condições de funcionamento", e o Tribunal levou cinco anos e três meses: a instalação, pelo Guia, é de 26 de maio de 2000. Entre a lei e a audiência solene, a comarca cresceu no papel sem abrir a porta — a Lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, criou Dom Bosco e Natalândia desmembrando-os do território bonfinopolitano e, na coluna "Comarca" de cada item, atribuiu os dois à Comarca de Bonfinópolis de Minas. Quando o fórum finalmente abriu, já tinha três municípios para julgar. O quarto, Riachinho, veio depois e por caminho tortuoso, contado no bloco de composição histórica da comarca.