História
A história de Maravilhas é a história de uma terra que foi particular antes de ser pública, e de um distrito que passou mais de sessenta anos dentro de Pitangui. O verbete do IBGE atribui a fundação do povoado à bandeira chefiada pelo bandeirante português Antônio Rodrigues Velho, nos primórdios do século XVIII, seguida da chegada das famílias do Coronel Felipe José da Cunha e de seu irmão Pacífico José da Cunha, gente ligada à lavoura. O arraial ganhou capela e um cemitério murado a pedra. A reviravolta veio com a posse da terra. O padre Veríssimo de Souza Rocha comprou para a capela um patrimônio — a Prefeitura acrescenta que ele adquiriu a fazenda São Joanico e que uma ordem régia mandou vender a gleba antes doada, de modo que o padre a readquiriu —, e o arraial passou a ser propriedade privada. Morto o padre, o herdeiro, tenente José Aniceto Rodrigues, tomou posse da fazenda, e os moradores o forçaram a uma nova doação: em 1832 ele comprou uma gleba de cerca de 200 hectares, que a Prefeitura situa perto da serra do Falcão, e a entregou ao povoado. Sobre ela se ergueu nova capela, o lugar passou a chamar-se Santo Antônio das Maravilhas e cresceu com a chegada de colonos e lavradores. O nome do tenente está hoje na praça central, a Praça José Aniceto, onde fica a principal unidade básica de saúde. A formação administrativa é longa e sempre passa por Pitangui. O distrito foi criado subordinado ao município de Pitangui — o verbete cita a Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, e uma primeira lei com data evidentemente errada —, figurou em Pitangui nas divisões de 1911, 1936 e 1937, perdeu parte do território para o distrito-sede de Pequi pelo Decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, e continuou em Pitangui no quadro de 1939-1943 e na divisão de 1950. A Lei estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, elevou-o a município, desmembrado de Pitangui, com instalação em 1º de janeiro de 1954. A história de Papagaios cruza a de Maravilhas, e o verbete do IBGE daquele município conta o lado de lá: até 1911 o povoado de Papagaios pertencia a Maravilhas; em 13 de agosto de 1911, pela Lei Municipal nº 556, desmembrou-se de Maravilhas e passou a ser distrito de Pitangui; e a mesma Lei Estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, elevou os dois a município. Os vizinhos que nasceram juntos voltaram a ser amarrados pela lei de organização judiciária, que os pôs na mesma comarca de Papagaios nunca instalada. Setenta anos depois da emancipação, Maravilhas continua indo a Pitangui para resolver a sua vida judicial — a comarca-mãe é também a matriz de onde o município saiu.