História
A história de Martinho Campos começa onde a de Pitangui termina: esgotado o ouro da vila setecentista, dois de seus moradores — Jerônimo Vieira e Maximiniano Alves de Araújo — desceram para estas terras de rio e formaram fazendas. Entre 1808 e 1820 mandaram erguer, no lugar que escolheram, uma capela a Nossa Senhora da Abadia, e essa capela, hoje capela-mor da Matriz, é o núcleo de tudo. Em volta fixaram-se os Vieira e os Araújo, e depois os Ribeiro, os Afonso, os Medeiros e os Pinto, vindos das fazendas próximas. O povoado virou distrito com o nome de Abadia pela Lei Provincial nº 911, de 8 de junho de 1858, confirmada pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, subordinado a Pitanguí. O que fez o lugar crescer não foi o ouro nem a lavoura: foi a ferrovia, e a estação de Abadia serviu de porta de escoamento para localidades tão distantes quanto Patos de Minas, Dores do Indaiá e Formiga. Em 1933 o distrito passou a chamar-se Abadia do Pitanguí, e em 17 de dezembro de 1938 o Decreto-Lei estadual nº 148 o elevou a município com o nome de Martinho Campos, desmembrado de Pitangui, instalado em 1º de janeiro de 1939. Esse mesmo decreto-lei, no item CLXI, desenhou as divisas que o município mantém: com Abaeté e Dores do Indaiá pelo rio São Francisco, com Pompéu na confluência do São Francisco com o Pará, com Pitangui subindo o Pará até o Lambari e com Bom Despacho pelo Lambari e pelo Picão. Em 30 de dezembro de 1962 a Lei nº 2.764, que refez a divisão administrativa do Estado, criou os dois distritos que existem até hoje. A última data da série é judiciária e é a mais recente de todas: 25 de agosto de 2005, quando o fórum abriu.