História
A cidade nasceu de um cruzamento de estradas. O verbete do IBGE é franco ao dizer que "pouco se sabe sobre a fundação de Rio Vermelho" e arrisca a explicação mais plausível: o povoado surgiu por ser o ponto onde se cruzavam os caminhos de Diamantina para Minas Novas, para Nova Filadélfia — hoje Teófilo Otoni —, para o Serro, para Peçanha e para Guanhães. A tradição local começa antes disso, no sítio chamado Magalhães, cognome de um português que, ao morrer, legou a Nossa Senhora da Penha mais de cem alqueires de terra, exatamente onde a cidade está. Nelson de Sena, na sua "Memória Histórica e Descritiva do Município do Serro", de 1892, atribui a fundação do arraial a 1776 e a Antônio Gonçalves Torreão; e no "Anuário Histórico e Geográfico de Minas", de 1909, o mesmo autor registra que a Paróquia de Nossa Senhora da Pena do Rio Vermelho foi criada por alvará régio de 1817, no governo de Manoel de Portugal e Castro. O distrito veio pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891. A emancipação demorou quase meio século e é o capítulo com data e ato: o Decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, elevou o distrito a município, desmembrando-o do Serro, e a cidade se instalou em 1º de janeiro de 1939. O foro próprio demorou outros cinquenta e um anos — a comarca só foi instalada em 24 de novembro de 1989. Há um detalhe que amarra a história política à geografia judiciária de hoje: o verbete conta que o distrito teve dois partidos locais, "O Tanajura" e "O Formigão", e nomeia os chefes do primeiro — Honório Lopes de Figueiredo e Bernardino dos Santos Carvalhais. São esses dois nomes que batizam, respectivamente, a rua do Registro de Imóveis e a rua do Fórum. Quem vai ao fórum de Rio Vermelho vai a um endereço que é sobrenome de facção do século XIX. O distrito também teve jornal próprio, "O Rio Vermelho", de 1915 a 1923, e mais dois nos anos 1950, "A Verdade" e "O Ideal".