História
A história de Gravataí começa em abril de 1763, com a fundação da Aldeia de Nossa Senhora dos Anjos: cerca de mil indígenas guaranis oriundos dos Sete Povos das Missões, deslocados no rescaldo da Guerra Guaranítica e do fracasso do Tratado de Madri, foram conduzidos pelo Capitão Antônio Pinto Carneiro para o vale do Rio Gravataí, sob proteção da Coroa portuguesa. A Câmara Municipal lembra que a ocupação é anterior: o rincão de Gravataí, nos campos de Viamão, já fora dado em sesmaria a Pedro Gonçalves Sandoval, natural de Lima, e ao capitão João Lourenço Veloso, perto do morro de Itacolomi, e parte dessas terras foi comprada pela Coroa para assentar a aldeia — primeiro num arranchamento provisório, depois nas terras centrais da cidade atual. O IBGE, por sua vez, situa o território entre as cinco fazendas reais da região (Aldeia, São Simão, Mostardas, Caieiras e Capão Comprido), povoadas por cerca de mil habitantes em 1778, e registra que os índios Tapes foragidos das Missões ali aprenderam a cultura do trigo. O aldeamento viveu seu apogeu a partir de 1769, quando o governador José Marcelino de Figueiredo urbanizou o núcleo, erguendo escolas, olarias e moinho. As primeiras concessões de terras a açorianos em território gravataiense datam de 1772 — os colonos que não puderam seguir para os Sete Povos foram se fixando do Vale do Jacuí ao litoral norte. Por Alvará de 22 de dezembro de 1795 a localidade foi desmembrada da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão e elevada a Freguesia de Nossa Senhora dos Anjos de Gravataí; em 1806 figurava como distrito de Porto Alegre. A emancipação veio pela lei provincial de 11 de junho de 1880, que a separou da capital com a condição de vila e o nome de Nossa Senhora dos Anjos de Gravataí. As últimas décadas do século XIX e a primeira metade do XX foram da mandioca: a farinha gravataiense era exportada para outras partes do país e para o exterior pelo Passo das Canoas e sustentou a economia local. Nos anos 1930, a gestão de José Loureiro da Silva trouxe a energia elétrica, o alargamento e calçamento das primeiras ruas, a estrada para Porto Alegre (1934) e o traçado urbano atual do centro — daí a avenida que leva seu nome e concentra hoje a Prefeitura, a Câmara, a Defensoria, o hospital e o Instituto Penal. Nas décadas de 1960 e 1970 vieram as primeiras indústrias, o Distrito Industrial e a Freeway com acesso a Gravataí, na gestão de Dorival Cândido Luz de Oliveira, cujo nome batiza a avenida do Barnabé. O anúncio da General Motors, em 17 de março de 1997, fechou o ciclo: a cidade que nasceu redução guarani virou polo automotivo.